terça-feira, 24 de setembro de 2013

Dias

Lépidos paralelepípedos. Acho que eu deveria criar um personagem chamado Osdias. Osdias seguem sem mudança de temperamento, sujeito calmo. Se bem que de vez em vez dá umas surtadas.
Que cara terá Osdias? Não sei, mas ele precisa de alguém pra contracenar. Provavelmente aquele cara da quitanda, Seu Dia. Melhor, Seus Dias.
Seus Dias, vê-me aí dez pãezinhos, por favor.
E segue Osdias com a boca cheia de café e pão.
Que coisa, mas já não o vejo há algum tempo. Como será que vai o Seu Dia?

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Pipiriti-pa-ti-pu

Quando a estabilidade é criativa. Hm, realmente algo que eu não me lembro de ter experimentado até esses tempos, impressionante. Estudar um pouco no final de semana, academia diariamente, conhecendo pessoas legais, conseguindo estudar com menos dor agora!
Ainda preciso preparar um relatório para o Adair, mas vai dar certo.
Tá, talvez essa estabilidade não seja lá tão criatividade. Mas acho que isso é menos culpa dessa calmaria, do que da falta de leitura. Empolgado com a engenharia de novo... É, tem louco pra tudo!

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Diário V

Acordei cedo. Dormi na sala na noite anterior, muitos pernilongos. Aula de sistemas de controle. Depois práticas em fabricação, com o Eraldo, foi legal :)! Almoço no bandeco, depois pra academia. Voltei pra casa, café e bolacha, estudo. Estudei até umas 18h, depois voltei as 19h30. Parei depois de mais uma hora. Facebook. Música, Dream Theater e Steve Vai. Hoje está muito calor, tentei escrever algo diferente mas não consegui. Não sei se quero ir dormir, mesmos problemas de ontem. E amanhã? Acordar cedo, provinha.
Outras preocupações. Vai entender...

domingo, 15 de setembro de 2013

Vós

Flores loucas em um quadrado ondulado, disforme. Verde, laranja, amarelo. Escuro, claro.

Existiu um homem sem pátria, nem nascimento.
Incônscio de toda moral.
Seguia este homem por um caminho, e nesta terra viu outros que matavam suas crianças em nome de um Deus.
Olhou, viu a cor do sangue, e os gritos histéricos, e os ululus desvairados que ecoavam do altar.
E não sentiu.
E o nome deste Deus era Morrendo.

Seguia este homem por um caminho, e agora via homens que matavam as crianças dos outros. E se matavam. Em nome de um Deus.
Olhou, viu a dor do negro, da pele e da fuligem, e o fulgurar violento das pedras preciosas.
Respirou fundo a fumaça.
E não sentiu.
E o nome deste Deus era Morrendo.

Seguia este homem por um caminho, e tinha diante dos olhos homens que se enganavam, e todos se matavam. Em nome de um Deus.
E o nome deste Deus era Eu.


Passos

Cabeça borbulhando, borbulhando, borbulhas.
Sempre que paro pra pensar penso em cataventos coloridos
Não sei exatamente a razão, mas os cataventos tem qualquer coisa de torpe.

As vezes vejo fitas coloridas.
Sonhamos com tudo tão real, mesmo o imaginário é um real plausível. Afinal, como imaginar um mundo onde não se é? Se se é, se imagina que se é, ou... espere. Que confuso! Será que não sou mas imagino que sou?

Enfim.
Tentamos enxergar além das cascas.
Medo de sentir medo.
Medo de não sentir medo.

Talvez a alegoria de Jesus caminhando sobre as águas seja uma maneira de dizer que era um homem que sabia lidar com suas inseguranças. Como caminhar com certeza sobre um caminho de vida mais fluido e mais bravio do que o pior dos mares?

sábado, 14 de setembro de 2013

Gaiato

Vagabundo descarado, isto é.
Pseudo intelecto mascarado, logo se vê.
Um vazio manchado, entristecido pelo tempo, um suor suado, esquecido, não lavado.

Vangloria-se, veja o que fiz!
Mas cala-se ao que faz?

As vezes me acometem tais pensamentos, de forma incerta, ornamento do desprezo próprio.
Quero sonhar e sonho, e me esqueço de tudo, e o respirar é algo duvidoso.

A conexão com a realidade é valiosa, embora me pareça ilusória. Fico em dúvida se isto é sinal de mesquinhez, ou reflexo do vazio sentimental, falta de empatia. Minha idiotice chega a querer pensar que isto é qualquer coisa de intelectual. Ora, faça-me o favor!
De uns tempos pra cá, desenvolvi certo asco em relação ao desapego completo. Não me pergunte razões. As razões seriam todas humanísticas. Talvez - com certeza? - reflexo da microestrutura social em que fui criado, inserida na conjuntura macro de uma sociedade confusa, de valores múltiplos.
Temos de criar uma estrutura social interna, cujos únicos juizes somos nós, e isto não é tarefa trivial.
Um devir oscilante.

Terei forças para isto?
Dai-me, por favor, não permita que eu abandone Gaia.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Ocaso

Lembranças de um ocaso afagam meu coração.
O vazio me visitou por todos estes dias, é um inquilino inconveniente.
Quero me preencher do efêmero trabalho. Minhas mãos são como um sonho da tarde, vazio e rápido, fagulhas de uma realidade, mas seu significado e seu impacto latejam durante a noite.

Cade você? Pergunta-me o bom amigo.
Estou perdido em uma manta laranja púrpura que nunca existiu.
Morrendo dos erros que não cometi.
Pintando de esperança as vazias horas, enquanto durmo e me enterro vivo em uma redoma transparente.
Transparente.
A luz a atravessa, todos poderiam ver meu corpo se esvair.
Mas estou debaixo de uma pele de sete palmos.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Diário IV

Acordei tarde. Sem ânimo pro pirata. Fui na academia, estou muito impulsivo, preciso me controlar. Na volta cortei o cabelo. O dia passou rápido, impressionante. Saí a noite, Marcelo, Ana Elisa e a outra Ana. Nossa, mas que menina fantástica! Se eu não fosse tão doente, quem sabe. Cale a boca. Estou morrendo de sono, mas está quente e eu quero alguém pra conversar. Vou acabar dormindo tarde. Esta semana está voando.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Diário III

Acordei cedo. Tomei café, comi 1/2 pão. Peguei carona com minha prima, cheguei cedo para aula. Provinha na aula de TransCal, prova de EleMaq II após. A prova mesmo estava tranquila, é pra ter dado tudo certo. Almocei no Bandejão. Juntou uma pontada de mal-estar - nada grave - e a expectativa do tédio e matei a aula de Ambiental. Dormi a tarde, pensei idiotices. Acordei, entediado. Comi bastante hoje. Tomei banho tarde. Pedi pizza. Comi sorvete. Estou sentado com o notebook em frente a TV, entediado, sem assunto, provavelmente só vou conseguir dormir as 2h.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Diário II

Dormi tarde ontem, umas 2h. Acordei 6h15. Arrumado, limpei o alargador, imprimi tabela das práticas. Peguei ônibus 7h45 (no café da manhã comi 3/2 pão e 2 xícaras de café). Cheguei na USP as 8h05. Aula de controle. Em seguida laboratório de práticas em fabricação, o monitor enrola demais e a prática foi mal explicada, mas divertida. Esperei colegas para almoço. Salsicha, arroz/feijão e verdura. Fomos estudar EleMaq II, 14h20 fomos para aula de maq. hid., professor passou exercício e nos liberou. Fomos na sala do Jonas para tirar dúvidas, foi útil. Estudamos mais tarde, entre risadas e contos. As 18h e pouco fomos jantar. Altas discussões. Fui pegar ônibus. Desci na UNICEP, caminhei até em casa. Cheguei, comi um pouco de açaí. Peguei o notebook e escrevo para não perder o costume. Vou tomar banho, descansar e estudar para TransCal e EleMaq.

domingo, 8 de setembro de 2013

Diário I

O objetivo do diário é uma descrição pontual e objetiva do que fiz no dia. Apenas para nota pessoal.

Domingo, acordei tarde. Li um pouco, Ficções, de Jorge Luís Borges. Almocei macarrão. Estudei a tarde, elementos de máquinas. Joguei xadrez, li bobagens no computador. Pesquisei a programação da TV Cultura. Comi açaí. Jantei. Fiquei preocupado. Sentei para estudar, mas não consegui. Joguei xadrez, conversei via Facebook. Fiz algumas flexões. Fiquei no computador enquanto bisbilhotava Café Filosófico. Fiquei mais no computador. Assistindo um documentário sobre uma atriz, senti vontade de escrever. Escrevo.

If

Dando um adeus, suave e verde.
Seu pequeno rebento alça voo, vai pra lá, e vem pra cá, canoa perdida em uma brisa indiferente.
Pequenos rebuliços. Farfalhar de nervosismos.
Acho que foi demais para a esquerda. Não, não, demais à direita!
Girou, cambalhotou, mas ainda vai pra lá e pra cá em seu voo valente, macio como cheiro de amêndoas.
Sempre persistente, para baixo.
Entrega-se ao solo, afinal.
E ao tempo.
Dá então seu adeus quebradiço e enferrujado.
 Quebrando o silêncio deste céu opaco, o réquiem de uma banda de folhas verdes.

Jovelhices

Buraco na carne, preenchido com um material da industria contemporânea: polímero.
Um símbolo do vazio interno, preenchido pela falta de ideal da produção: consumir para esquecer e apaziguar.
Talvez um pouco de dor e adrenalina comprados, para, ao mesmo tempo, complementar e identificar, a ideia momentânea com o cotidiano.
Tudo bem, tudo bem, só se tem vinte e dois uma vez.

E o engraçado é que agora sinto a necessidade de ser mais velho do que nunca.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

O Quarto

Ouviu isto? Que será?
Não sei. Olho para os lados e só vejo as sete cabeças deste quarto de quatro paredes.
Não vejo saída possível. Alguns raios de sol entram como pequenas gotas de uma garoa luminosa.
Novamente este barulho.
Meu coração palpita e quase sinto minhas têmporas incharem e pulsarem em ritmo alucinante. Será que o cheiro de mofo finalmente será renovado? Será que este ar carregado de meu suor será aliviado? Quero tanto ver a luz do dia... mas tenho medo. Não quero ficar cego.
Penso, melhor seria ver, toda a vida, uns poucos metros quadrados de um quarto cinzento, ou alguns segundos da imensidão dos campos abertos?
Ah! Olhos esbugalhados. Pupilas finas que ziguezagueiam nas órbitas dos olhos. Aquele barulho novamente.
Não vou suportar.
Os esparsos focos de luz se difundem e se esvaem.
Agora é o mundo que gira, não mais seus olhos.
E o cinza se torna escuro.

Pílula de imaginação

Segue o dia e a delicada flâmula dos meus pensamentos balança em meio a brisa do silêncio.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Simples, pois

Será que devo começar agora a tentar tecer ideias complexas, entrelaçando objetividade e subjetividade, para justificar a simplicidade da vida? É fácil pensar, sentir - no sentido de que é automático. Difícil é se expressar e compreender o que se sente.
Tenho passado muito tempo tentando ter 'pensamentos profundos' sobre a vida... Estranho que isto parece exigir uma sinceridade que machuca, pois revela a hipocrisia. Realmente, não é um passo fácil para alguém ser sincero consigo e com os outros. Muitos têm um medo, socialmente construído, de expor suas vergonhas, até mesmo de admiti-las para si.
 Buscando ideias de alguns escritores, achei que somente livros de filosofia e sociologia me dariam novas perspectivas no espectro da vida. No entanto, é a literatura quem transmite de maneira sútil, mas tão mais inteligível, ideias acerca da vida.
Fico até pasmo quando pego um livro puramente honesto. Como é contrastante com a rotina. Por que até mesmo a realidade é uma mentira, ilusão, ao menos parcial. Será que ainda conseguimos, ao menos no campo das ideias, incluindo seu reflexo ativo, sermos sinceros?
Este é o primeiro passo, acredito, para começar a ter 'pensamentos profundos', e veja que, como disse, tenho passado muito tempo tentando tê-los. Isto é, tenho passado muito tempo não sendo honesto comigo mesmo. Centenas de firulas sobre a vida, a imensurabilidade de seu valor - se bem que, neste caso, não faz sentido falar de valor - a angústia de existir, a falta de relações amorosas, o sentimento de solidão mesmo com amizades significativas, com uma família admirável.
O problema todo esteve em expectativas (será? preciso arriscar para desenvolver a ideia). Só não sei se o excesso ou a falta de. Chegou ao ponto de eu não conseguir ver a beleza de um pôr do sol, da brisa nas árvores, no rosto. Sei que isto é um tanto romântico, mas não deve ser exatamente comum ter o apreço a estas coisas resumido à racionalidade. Isto é bonito por causa disto. E a admiração se fecha aí, sem qualquer brisa no coração, sem qualquer alteração da pulsação, sem aquela sensação de renovação psicológica. Toda a motivação para a criatividade se encerra sob modelos de sucesso, conceito também socialmente construído, frágil e mutável, e tão misleading. Talvez questione a fragilidade. Acho melhor dizer que talvez não o modelo em si seja frágil, mas a sua percepção pelos indivíduos, estes, sim, frágeis.
De qualquer forma, o que quero aqui? Só me falta o pequeno local enclausurado, e o anonimato do leitor serve da tela trançada que esconde o padre, para receber minhas confissões. O fato é que busquei construir explicações necessariamente complexas, tortuosas, numa tentativa talvez estúpida, derivada dessa formação razoavelmente racional, de explicar tudo sob hipóteses, como se fossem teoremas e seus corolários. Fui me destituindo de diversas concepções éticas e morais pois eram socialmente construídas. Expus-me ao ridículo e tomei atitudes arriscadas, e até agora estas coisas todas estão embatendo-se dentro de mim. Por fim, cheguei a desvalorização da existência, isto é, a falta de sentido em viver.
Fatalismo racional.
Bem, talvez esteja mais claro, era excesso. Reduzi a expectativa, simplifiquei as explicações, tornei o mundo mais tangível. Como que em um passe de mágica (sim, eu sei que o truque é efêmero, mas tomará possa repeti-lo com constância) a realidade se tornou relativamente tranquila. Senti vontade de trabalhar, faiscando a ideia de que até mesmo o trabalho racional é criativo, e o é.

Sem vontade I

O tédio é tanto que estou entediado de ficar entediado. Ponho-me a trabalhar, então.
Arrisquei os orientais. Mas que coisa engraçada, minha identificação com um foi tão miscível quanto óleo e água. Com outro, já não sei dizer que líquido veio de onde, nem onde está ou pra onde vai. Homogeneização quase que total.
Será que o meu modo de vida tem me levado à essa urgência em tudo? Se bem que hoje estudei com tranquilidade, mas com frequência sinto uma certa tensão, uma ansiedade - pressa talvez? Pois bem, dei-me o luxo de ler estes livros a noite, e não é que a tal sensação de pressa também surgiu!
Em geral procuro respirar fundo e manter o ritmo, lição aprendida nas corridas. Mas hoje simplesmente deixei correr, tentei deixar meu corpo e meu subconsciente lerem pra mim, mero ouvinte, e esta maluquice fluiu em certas pontadas de graça. O texto deslizava enquanto as imagens se formavam em flashes bem a frente de meus olhos, e eu podia sentir o movimento de vai e vem, semelhante ao de uma jangada, que meus olhos faziam. Não perdurei muito tempo, quer dizer, não que tenha tomado consciência, neste modo, mas de certo foi uma experiência diferente.
Hoje não estou me sentindo solitário, para variar, na verdade, qualquer coisa de... não sei... satisfação? Não, não é isso. Ah, sim. A vida não é tão complicada como gostaríamos. Melhor. Talvez até seja, mas não conseguimos fazer jus a essa complicação... Sei que vai discordar de mim, mas em momento oportuno vou tentar ser mais claro, tentar discernir direito esse gérmen de ideia.
Pra ser sincero, vim aqui apenas para manter o costume, e dar um tom um pouco diferente do solitário-maníaco-depressivo da maioria dos posts!

domingo, 1 de setembro de 2013

Dois minutos de vida e morte

Etiquetas de valor social: vivo em uma época tal que meu comportamento é a receita do fracasso - definido neste efêmero contexto. Tento tocar o ponto mais interior destes questionamentos, determinar qual é a pedra angular. Mas como tocar o centro de algo oco?
Estamos, ao mesmo tempo, tão cheios e tão vazios, somos fluídos mutáveis e sólidos perenes. Pequenos Ulysses esquecidos no tempo, horas de mar bravio.
Minha imaginação empina minha cabeça, com letras em sua rabiola. O céu é tão grande, meu voo desvairado e incerto, balanceia como uma barca celeste -salve meus animais interiores, querido Noé!- se esquiva e, no entanto, sobrevoa sempre os mesmos pastos e os mesmos campos. Os mesmos rios de piche e troncos de concreto.
Ninguém se lembrará do náufrago que chorava pela terra partida, que morreu afogado, está em queda livre, mas tão somente do incompetente capitão, que a tudo deu um fim, se ao menos tiver feito fidedigno. Sou um belo mentiroso. Minto tão bem que engano a mim mesmo. Por exemplo, neste momento, finjo tão bem que vivo. Mas que vida há, de verdade? Como diz Clarice, quando não escrevo estou morta.
Se estou morto agora que escrevo, quanto mais quando não o faço, e olhe que não sou nenhum Machado, mas talvez até molhe meus pés em cubas. Se bem que esta coisa toda venha a me render umas casmurrices irracionais.
Algumas vezes fico pensando como é que se encarou a realidade alguns anos atrás. Sinceramente, boa parte da minha é enquadrada e virtual - o que fortalece a sensação de que toda a realidade é virtual, isto é, que não há tal de fato e que a vemos apenas sob sua sombra sensual, cruel e distante, em um biombo. Tenho o enquadramento da tela do computador. O enquadramento dos meus óculos. O enquadramento fosco dos olhos. O enquadramento da minha mente - sou assim tão quadrado? És praticamente um cubo, só te falta tampar a boca e os fundilhos!
Este último quadro é o mais forte. Ah, sim, como mostra sua força, minha querida! Mais do que um enquadramento, são grades que te acompanham todo o tempo, com a doce ironia de também ser a serra.

sábado, 31 de agosto de 2013

Beleza Americana

Repensando algumas coisas... Acho que eu quase já desisti de tentar me manter steady, talvez isto seja uma busca frustrante por algo que já não é real para nós, mas foi para os mais velhos - nossos exemplos de sucesso(?).
Hoje assisto ao famoso filme Beleza Americana. Já havia visto, mas agora com um outro olhar. Acho que é como um amigo definiu: A 'verdade'. É fácil enxergar como os personagens são superficiais, e, no entanto, tão... reais... típicos, complicados (sim, superficiais e complicados!) - e olhe que nem estamos nos EUA, é um filme universal.

Será que também sou tão superficial? Isto me parece provável. Escondo-me atrás de livros, de uma pseudo-cultura, de um fraco intelecto. Tento me convencer de que a solidão é algo bom, afinal... e choro. Muitas vezes é, de fato, uma solidão de solitude, mas na maior parte, uma de loneliness. Afinal, o que procuro tanto em companhia? Apenas um válvula de escape? Um tapa buracos semi religioso?...
Será que inculcaram em mim a ideia de que estou perdendo muito por estar sozinho? Não será também um mito? Será que não perdemos muito por nos lamentarmos estarmos sozinhos, sem aproveitar esses momentos? ... Ahh... eu já não sei mais nada. Falo de você mais do que imagina... é um oásis no meu deserto... escuro e frio.
Hã... eu sei que não sou fraco. Mas parece que tenho medo de ficar sozinho, me reerguer (há quanto tempo estou falando isso?)...hahaha. É só outra insonia de sábado. Estamos todos sozinhos, no final das contas, e todos os medos são ilusões.

domingo, 25 de agosto de 2013

Pílula de desespero

Socorro! Onde estão as mulheres que sabem pensar e falar?! ... Não as vejo. Será por isso que me sinto um deserto?

Café Filosófico I

Forte e sem açúcar, por favor. Eis a forma do assim chamado macho.
As discussões, ao meu ver, se dão a partir de um ponto de vista externo (embora também masculino), e pior, de um ponto de vista retrógrado, nostálgico. Para este, é realmente difícil compreender como pensa o macho moderno... acho que posso me colocar em primeira pessoa. Deste ponto de vista, o que eu acho mais difícil é que as mulheres entendam o macho moderno, ironicamente.

domingo, 18 de agosto de 2013

Pílula demasiada humana

Dia um. Vou tentar ir mais longe hoje, simplesmente sem medo, quero expor minha cara, isto deve doer, senão não faz sentido. E o sentido deve existir, ainda que com base em irracionalidades.

Pílula de instabilidade

A beleza feminina é pior do que uma arma apontada para minha cara. É este o ponto da minha debilidade mental.

Medo, sexo e feminilidade

Seria esta a origem do medo? O sexo. Puramente o sexo (as vezes acho que na verdade é fruto do tédio)... O desejo intenso de algo que não se pode - ou ao menos se pensa que não pode - ter. Algo incorrigível. Mas acredito que algo além do físico, algo que exija o desejo recíproco (ó, o feminino!)...
E eu manipulo tudo isto, me transvisto, e faço o melhor que a mente pode fazer quanto há antinomia da realidade e o desejo, e sempre há: Fantasio. Minto. Invento. Deturpo.
A meia calça.
O espartilho.
Luvas.
Talvez uma seda oriental?
Ah, como sou superficial, depois de tudo.
Que saudades de uma boa conversa, deitado e solto, num canto da casa, com a liberdade de duas mentes abertas, com um abraço, um toque, e no fim das contas, toda a melancolia e a 'loucura', se resumem em solidão. Para sempre, e sempre, e sempre.

O Feminino II

Não é possível olhar nos teus olhos.
Apenas a sugestão da sua presença, da sua imagem, já causa uma dor surda e paralisante. É necessário - como eu sou fraco - que os meus olhos fujam para fora da realidade.
E, no entanto, meu veneno me atinge, penso tudo como se cada momento da vida devesse ser uma obra de arte, uma fotografia instantânea, e penso, sou um bom artista? sou um bom modelo? O feminino me ofende, porquê sou fraco, e ele é forte, sente nojo do fraco.
E quando quero poder, eis que busco expressá-lo ao máximo. E essa antinomia do corpo masculino e o poder feminino faz com que, da perspectiva histórica, ao buscar o máximo atinja o meu mínimo.
Seria isto tudo prisão social? mental? Seria possível buscar esse poder?
Que medo você me causa. Minha mente foi tão deturpada que em todo o meu intelecto e em todo o meu dia a erotização está presente. E você é - no meu mundo moldado e machista, estereotipado, apesar de toda o pensamento - a condensação do Erótico. E é algo além do meu alcance, e por isso o medo. Temos medo de tudo àquilo que pensamos não poder enfrentar. E eu já não posso ao menos suportar.
Desejo secretamente que você venha me atacar, por fora, não mais por dentro, e que eu sinta seus dentes, meu sangue derrame, ainda quente, e que tudo se misture a lágrimas e gozo, e o calor o prazer e a dor inundem o meu ser, e eu possa sentir em sua plenitude o feminino do medo e do erótico, que é o que existe em minha cabeça.
Admiro o poder feminino, mas o tempo, pois o desejo, e sei que sou incapaz.

O Feminino I

Medo da essência feminina.
Medo do corpo feminino.
Medo das formas femininas.
O toque é mortal. A imagem causa úlceras nos olhos.
E a minha fraqueza causa nelas a repulsa.
É a minha proteção.
O meu casulo.

domingo, 11 de agosto de 2013

Sometimes I think that all this pain it's only due to lack of hugs, kisses and love! Hahahahahaha
Some superficial thoughts. It's late in the night, and I was thinking about sex tonight (wow, that's new!...but no). Reminds me of that question, intellectuality versus (with?) sexuality... I was watching the philosophy show, and they were talking about man and woman sexual behavior in Brazil's history... Needless to say that, in general, man had more sexual freedom than woman, with access to the so called 'puteiros', and even because of the subservient nature of some housekeeper women.
 I find it pretty interesting, and somehow sad to me. The interesting part it's to recognize the change on those values (at least, 'paper' values), and a gain in women's sexual freedom. On the other hand, I myself, as a man in the modern Brazilian society, feel oppressed. By that need of man showing that they are 'real man', and the need to fulfill some roles that had been regarded to us (for instance, to take initiative on relationships), both of which, I think, are heritage of that historical background.
A lazy weekend, for sure. The pain in my back, is back. Well, looks like I will have to go to the gym, I am thinking about the one just at the college's exit. Lost the control a bit this weekend too, but at least I got some CD's to my dad, hope he likes it.
 Well, I have considered ways of turning around the problem of my excessive loneliness. Actually, it may get better now that I am hanging out a little bit more. It's kind weird, because at the same time I feel bad for it, but on the other hand I appreciate it as the cost of company may get high sometimes. Really I just wanted to get full concentrated on my grad, study more, practice more, and take care of my health, which doesn't go that fine as I already said.

sábado, 10 de agosto de 2013

A nice sweet company, but I still feel so lonely... Everyday I still think, and it is over for so long time now. It's over, once and for all. I don't known me, but she, who seeks me everywhere.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Finally the firsts days of the semester have come... Weird as it seems, it looks like I had got a mind set up. It's working pretty good, actually. Meditating about my family, remembering who I am, no, better than that, remembering who I want to be.
 Raising some strength to overcome the mistakes I'v done in the past, trying to consider the holy triad, perseverance, discipline and humility.

 The other day I was sitting in front of the TV, the same morbid news, nevertheless different characters, most of them dead. Dead on the dirty ground of a decaying hospital in the so far Amápa... There is no history at all, there are no proofs at all, there it goes another one... what if there was no love? what if there wasn't this pain?

 Fingers pointing everywhere, pointless discussions, the theory over praxis, and the intellectual pride leaves the starving, thirsty people of Sertão in second place, once again. Take a book of one hundred years ago, take a nowadays geography book, consider this place, and you will see that they live most likely in the same way. Of course, some thinks are better... but, still the same... is this bad?

There is a Sertão within me. A place that has been thirsty and starving for so long. Many thinks have happened, and it got better, no doubt, but, still the same... is this bad? I have invented this desert beneath the skin, and, hopefully, I travel inside myself, searching for that Oasis, and as those jagunços, afraid of everything that comes from the grandes terras, always glorifying the long gone past, praying for my very own virgin Mary.
 There is a Sertão within me. I run with a carabina as my precious love to the very deep of this desert, and it is very good... and cruel... and the strong storm comes over the pale red of some stones, now and then, to wash over, to renew the life, it's a green phoenix, coming from the sands, to form a vivid new beginning, and all of that will be washed over again, now for the dry that comes passionless... but I am alive. Alive, alive, and nine out of ten dreams make me cry, I am alive.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Um pouco de tempo perdido (ou ganho?) com os amigos... como era de se esperar, sem aulas no primeiro dia. Alguns contratempos, hoje a noite planejava trabalhar mais no resumo, mas primeiro vou precisar definir quais os resultados que eu preciso. Acordei cedo pra ler Os Sertões, amanhã pretendo fazer o mesmo.
 Ainda deu tempo de andar de bicicleta... da pra acreditar? haha... pois é, mas essa dorzinha não me larga, já é minha sina!
 Ontem foi legal, reconhecimento por quando se toma atitude, cuida-se de si mesmo, é muito bom.
 Quanto mais procuro coisas culturais, mais busco me expandir sempre pensando na minha família, mas me aperta a saudade... Realmente, quão difícil é achar alguém pra conversar nos dias de hoje. Mas ânimo varão! Hahahahaha... dias melhores virão, já estão aí a porta!

terça-feira, 30 de julho de 2013

O paradoxo interno entre sexualidade e intelectualidade: Uma construção histórica? Um preconceito pessoal?
Algumas vezes descontraído, o sorriso forçado no rosto. Como se portar? Melhor, devo mesmo me fazer esta pergunta? Ironicamente, foi nesta última semana de férias em que aprendi mais coisas!
 Tantas questões interessantes que surgiram, conseguindo refletir um pouco mais sobre as coisas, e tentando obter um pouco mais de introspecção.
 Depois de ver pessoas com mentalidades tão diferentes, falando isto e aquilo, defendendo suas ideias, suas convicções, conhecer pensadores novos, procuro sempre utilizar este amálgama conceitual no sentido da praxis.
 Tenho pensado um pouco em uma questão até estúpida: Será que houve ou há alguém por quem se possa por a mão no fogo? Não me refiro, claro, aquelas pessoas com as quais mantemos laços pessoais, mas as personagens históricas, construídas para nós mediante relatos, inevitavelmente tendenciosos. Mas será que podemos depositar uma certa confiança? Podemos nos deixar inspirar sem o medo de nos decepcionar?
 É ingenuidade da minha parte, uma infantilidade, na verdade, estar aí a buscar super-homens nos quais me inspirar, mas, vá lá, não exijo a perfeição. Só queria mesmo que houvesse alguém que agiu não por mesquinheza e sim por genuína (ainda que o ato espere recompensa em uma outra vida) bondade. Uma faísca de esperança.
 Estou buscando forças para me renovar, dessa vez de maneira mais profunda, acho que escrever pode ser um passo importante... relembrar o que eu fiz no dia, se está de acordo com o que eu gostaria de estar fazendo. Desta vez fomos salvos, mas e da próxima? Não vai dar pra navegar muito mais em um navio furado, ainda mais depois desta tempestade.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Suas ideias fazem sentido, embora alguns textos sejam ainda muito nebulosos para mim. Mas me parece que é tudo individual. Toda essa potência desejada, todo essa consciência de poder, parece ignorar a realidade da maioria das pessoas, o como a vida é de fato (seja lá o que isto quer dizer) para quase todos os seres humanos.Na verdade existem alguns juízos de valor pré-concebidos, ao meu ver. Isto é, ele descreve, mas deixa claro qual lado julga melhor, sua descrição de algumas coisas soam mais como provocação.
 Não é exatamente isto que estou procurando. Seus textos realmente abrem a mente, fazem saltar aos nossos olhos certas nuances de realidade e comportamento, nossos preconceitos, que certamente passaram despercebidos até então. E mesmo em relação às coisas percebidas, a vergonha que resulta em covardia quando realizada uma auto análise. De qualquer modo, não quero me perder em conceitos metafísicos, em dialéticas, em divisões conceituais que não são consenso, nem nunca virão a ser. Os quero somente se forem úteis, seja para meu auto conhecimento, seja para a utilização na política - Ah, isto sim me interessa!

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Finalmente uma tarde chuvosa. Não sei muito bem o que pensar, estas semanas simplesmente me desliguei de tudo, mas foi necessário. Apesar de tudo, as coisas parece que estão entrando nos eixos novamente... Encontrar algo que exige esforço e disciplina, e ao mesmo tempo lhe da prazer, realmente eu não tinha isso há muito tempo!
 E, olha só, quem diria, surgiu alguém! Acho que as coisas ainda estão um pouco estranhas pra mim, não estou acostumado com isto. Mas é inegável o sopro de confiança... Ainda luto contra certas auto sabotagens... Sei o que tenho de fazer, sei que poderia fazer sem me matar. Tudo está ficando mais claro agora, eu espero.
 Ela ainda está linda como sempre, cara de mulher, nem parece mais nova do que eu! 

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Escondido sob os mortos, escondido sob um vel do tempo passado. Quero parar, não quero continuar, para onde vou com tudo isso? Acho que estou mais perdido do que quando tudo começou. Ainda sinto tanto sua falta... que eu já nem sei mais o que quero ou o que deixo de querer. Que eu já não sei mais quem sou...
Estou enterrado abaixo dos sete palmos, escondido sob os mortos. O castelo de cristal se quebra, e só quero olhar, e ver quebrar, e ir embora. Quero voltar, quero refazer... sempre queremos. Ainda sinto tanto sua falta... onde você foi parar? volta e vem andar comigo, dormir comigo... você me fazia tão bem e a todos ao meu redor, e apesar dos pesares nos dávamos bem... por favor, volta, e vem me ajudar....

sábado, 25 de maio de 2013

So, Lo came to visit me again. Don't fear me, my dear, don't fear me, she said.
Blossoms and white clouds, they are just ahead, with sparkling light and long gone sorrows.
I will be gone so soon you will forget my presence, my warm and cold hug, she says.
Should I say I don't fear you? But I do.
And I'v felt your cold and warm hugs, all those long nights that you were with me. And all of these little empty canvas that you have fulfilled.
Still I do fear you. But I trust you, and I hope again for the sun to bring life for us.

domingo, 12 de maio de 2013

What is going on with me? What has always going on... Maybe just too bored, maybe just turning in what I hate. You used to help me out, I used to feel calm even with your haste for everything. I wished to feel nothing anymore, but I do feel loneliness. It's already clear that I can't stand by myself... can I?
 These days seem so cold to me now. I have a disease and it won't affect my body, but it does affect my actions. Maybe I wish to have that invisible disease, so I have an excuse for those thinks that I don't do, so I have excuses for not doing my best, for giving up so easily.
 That text is already frightening me, because it's already so filled with "I that" and "I this" and so on. Isn't this sad? Oh my god, here I go again...
 Sounds like I like to be seen like the poor one, the one who needs help. Complains about everything. Does nothing.
 I just wanted to go away again, all of this it is not making sense anymore. No more expectations about life, no more big dreams that can take away my mind and concentration. The most strong motivation for study it's competition. How can those thinks happen?
 I am trying to live and sustain based upon my past success.
 Missing you so much, so distant now, so strange to each other. How can this even happen?
Inerte. Inerte... totalmente inerte... Acho que eu já quero ir embora.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

I have been struggling with this boring disease for some weeks now. Well, I really don't know how it started. Actually, I'v felt bad after I had a lot of pizza... but after that I have been coughing a lot. That really doesn't matter here, just trying to work out my English.
 Well on the last days I have thought about meditating. Like, trying to think what I'v done along the day and this kind of stuff. I know, I know that sounds stupid or at least infant of my part, but that helps to deal with anxiety. Yeah, I had felt some last days, specially now that we have had tests all the weeks, and has been a while since I went to somewhere with my friends. I miss them.
 So I thought about writing here as a part of my meditation. Right now I am listening to some Japanese folk music, I'v been puzzled about them again on this last days. No discussion that's influence of a friend of mine, but I also from an interview that I saw couple days ago. It was a Japanese doctor, a Nobel prize laureate to be more precise, and he was a 2nd dan black belt in Judo, and did a lot of sport while in college. So I thought, how on Earth he did got to graduate as a doctor and still balance the time to do those thinks. Well, after some superficial considerations it was obvious that I still had spent a lot of time on useless stuff (like writing here or staying on facebook, or reading some scientific article that would not help me in my work...not useless at all, of course, bot also not objective). And also this flu I had just got and my coughing are eating a lot of time and sleep. Hmm, I am not up to write anything anymore... Anytime later I will come back. Thanks for your time, blank paper, I really love you!

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Hoje eu fui ao palquinho, e hoje também é meu aniversário. Engraçado, neste dia, no ano passado, eu ganhei uma festa de aniversário. Eu fiquei sem graça, mas foi legal, e eu mal pude acreditar que alguém gostava de mim ao ponto de fazer aquilo. Caramba, eu realmente estava feliz! Será que eu fui tão passivo com tudo, assim? É, a passividade consumiu muito de mim, mas eu cansei dela.
 Eu sinto muita falta , já nem sei mais se dela em específico, ou se simplesmente de carinho, de companhia. Eu sinto algo tão ruim, e já faz tanto tempo. Desejos confusos, insegurança. Tanta coisa tem passado por minha cabeça, eu já não sei mais o que pensar. Tem horas em que eu não ligo, tem horas em que eu desabo. É assim que estou completando um ciclo da minha vida. Eu já deveria ser maduro e saber lidar com essas coisas, né? Mas que droga, não é mesmo? Ás vezes a gente perde, e isso é natural, mas perder de uma vez é muito difícil. Perder pra sempre é muito difícil. Perder pra alguém melhor é difícil. Mas a vida é difícil... e eu sei que no fim as coisas vão se resolver.
 Tenho que me reerguer, e tem que ser hoje. Eu já fui o melhor, e, curioso, tudo o que pus empenho sempre saiu acima da média. Eu não sei se fui tão ruim assim, eu acho que sim. E eu acho que é justamente isso que está dando origem a essa sensação. É a segunda vez que ouço que sou bom amigo, mas péssimo namorado. Agora eu tenho que sentar e me contentar com o segundo lugar, com a distância juridicamente imposta. Enquanto o ácido do estômago me faz ter vontade de vomitar, os nervos tensos exaustão. As noites mal dormidas, os olhos inchados.
 Tudo já acabou, e meus dias continuam ocupados com alguém que não vai mais acompanhar os meus caminhos. Não que eu esteja desocupado, muito pelo contrário. Eu sei que é egoísmo, mas parece que agora ela encontrou alguém perfeito pra ela. Eu quero ver ela feliz, mas essas coisas tem me apunhalado na barriga, tenho vontade de explodir. As vezes eu não quero dar a mínima, eu quero só ficar independente. Eu queria ter certeza de que tive valor.
 Eu já reclamei demais de todas as desvantagens que eu vejo, e não consigo enxergar muita qualidade em mim, além do que todo mundo tem, além de coisas do passado. Será que eu preciso de alguma ajuda nisso? É, talvez. Acho que eu sou bom no que faço, tenho minha capacidade intelectual. Nada que seja de muita vantagem pra suprir a tristeza que estou agora. Eu sei que não vale a pena, se eu aplicar meu raciocínio lógico, infelizmente, eu me sinto hipócrita, pois ele me faz querer a verdade.
 E são coisas tão distorcidas, eu não sei ler pensamentos, mas também não sou idiota. É só juntar os pontos, saber somar, da pra ver, não é?
 Chorei, enchi o saco, me fiz de vítima, reclamei. Reafirmando a posição passiva e vitimista. Não, não é isso que eu quero ser, não mesmo. To cansado de ser sempre o loser nessa bosta. Mas poxa, tem de ter alguma coisa! Alguma coisa! Por favor babe, no que eu fui o melhor? Fui em alguma coisa? No que eu fui o pior?
 Talvez seja a hora de ficar na toca por uns dias, e viver o que eu não vivi, e crescer onde falhei. Hoje eu fui pro palquinho, hoje eu voltei pra casa, hoje é meu aniversário. 22 anos. Nem uma hora se passou e hoje eu já senti alegria. Hoje eu já senti total confiança e insegurança. Hoje eu tomei uma cerveja. Hoje eu senti tesão. Hoje eu senti raiva. Hoje eu chorei. Hoje eu escrevi.
 Poxa velho, na boa, to falhando muito né? Acho que estou um pouco arrependido de a ter namorado, não porque foi ruim, muito pelo contrário, maravilhosos dias, os melhores, não tenho como descrever. Mas porque ela foi minha primeira namorada de verdade. E por isso, ela teve que aguentar todas as falhas de um nerd nemaícomavidaeuqueroéfilosofar, sem carro, sem emprego. Mas, também tive os meus pontos positivos, não é? Trabalhei pra conseguir as coisas. Arranjei uma bolsa pra podermos nos virar. Fomos fazer serviço voluntário juntos (tudo bem, poucas vezes, mas fomos!).
 E de tudo isso que eu escrevi, parece que da pra obter uma lição: Maurício, você precisa parar de ser tão egocêntrico e mimado. Tudo o que você escreveu foi sobre como você sofre, como você é isso e não é aquilo, ai como a vida é dura e eu sou um coitadinho que não teve as mesmas condições! Vai se foder velho! Larga mão de ser mole, caralho. O mundo não gira ao seu redor filhote, acorda! Ta sentindo falta de algo? Você não se acha bom o suficiente? Vai atrás, procura melhorar então, para de ficar chorando e dormindo, como se isso fosse mudar algo. É isso cara, para de ser coitadinho e pega o problema na mão. Quando algo tentar de colocar pra baixo, pegue a vida na sua mão e saiba que você tem o poder de construir ela!
 Eu sou muito grato por tudo que aprendi, mas agora quero alçar voos mais altos, quero sonhar mais alto. Eu sou melhor do que tenho sido, e eu sei disso. Eu não quero essa pseudo auto ajuda de araque, eu quero amadurecer com tudo o que eu passei, e quero entrar nos 22, com a maturidade bem colocada, os objetivos bem definidos, os valores em construção, porém em sólidas bases.
 Agora, comemorar o aniversário, mais uma cerveja, e pink floyd.

http://www.vagalume.com.br/pink-floyd/one-of-my-turns.html

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Este mês ganhei a série de livros do Stieg Larsson, que estão mais ou menos na moda graças ao filme americano (os filmes suecos são de 2009). Terminei de ler o primeiro livro e é simplesmente fantástico! Muitas referências externas, o cara consegue apresentar amplamente a cultura literária sueca, músicas, entre outras. Uma ou outra passagem as vezes força um pouquinho a barra. Dois ou três parágrafos de um livro de 600 páginas. Uma pena, em um certo sentido, eu ter visto os filmes antes, pois o encadeamento de descobertas e revelações é instigante! Sou suspeito para falar pois é o primeiro romance policial que eu leio. Senti que a Lisbeth foi retratada de maneira muito mais forte e decidida no filme, enquanto no livro é possível enxergar uma jovem confusa.
 Ainda estou embriagado por esse escritor e por esse livro. Nunca pensei que um livro fosse me afetar tão profundamente. Talvez eu consiga entrar em mais detalhes em textos subsequentes.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

A vida é uma vadia. E eu to sem grana.

[5]

Não era um mal lugar pra se trabalhar. O ambiente era claro, as pessoas não eram tão ruins, algumas. Tinha um cubículo no meio de um grande salão com colunas no meio, cercado por uma parede de vidros, e envolto por uma outra infinidade de cubículos. Conhecia as pessoas ao seu redor de vista, conversas dispensáveis. Como está? Tudo bem, tudo bem. Parece que o jogo de hoje vai ser bom. Pois é, parece que vai chover amanhã, né? É, pois é. Mas isso era apenas pequena parte do tempo que despendia dentro do escritório.
 A grande parte consistia em atender telefonemas padrões, ser polido com todos os clientes, responder e-mails, conferir contratos, aguentar o mal humor do chefe e a pressão do trabalho. Havia estudado engenharia em uma das melhores faculdades de onde vivia. Não havia se destacado em nada lá dentro, na verdade, havia sido medíocre, deixava as coisas para a última hora, sem vontade de aprender mais coisa, não conseguia acreditar que completaria as tarefas. Mesmo assim conseguira um trabalho, que se distanciara     das matérias de projeto mecânico, da base em cálculo, física, química, dos trabalhos em grupos.
 O trabalho em grupo na empresa consistia em fazer reuniões semanais para estabelecer metas semi impossíveis de serem cumpridas, confiar em pessoas não confiáveis, dar um ou outro palpite, anotar tudo, e trabalhar como um cavalo, mostrar serviço. Apesar do mal humor do chefe, por algum motivo ainda não aparente, ele ia com sua cara, então contava com sua simpatia quando fazia alguma merda. Felizmente, algo raro.
 As pessoas hoje apareceriam preocupadas com seus assuntos pessoais. Uma conta não paga. A traição daquela estrela do cinema. O acidente de carro a duas quadras dali. O assassinato de um jovem pela polícia, disseram que era traficante, disseram que ele reagiu. Por outro lado ninguém saberia que ele fora seriamente para por fim a vida na noite anterior. Que não haveria mais contas, que não haveria mais acidentes. Que não haveria mais assassinato para onde ele estava indo. Lugar nenhum.
 Hoje apareceriam com metas, estatísticas, com ligações, reclamações, com e-mails, com serviços mal feitos. Nenhum de nós se da conta da mediocridade de nossas preocupações. Não tenho computador. Não tenho dinheiro. Não consigo sexo. Não nos damos conta. Não tenho pais. Não tenho família. Não tenho comida. Não tenho as pernas. Não tenho os braços. Talvez por isso eu tenha dito que havia sido grande, o maior, e não sabia, embora tenha se enfiado na merda novamente. Ao menos tinha a dignidade de terminar com a vida ao invés de reclamar sobre aquele smartphone de última geração que não pode comprar ainda.
 E tudo isso se desenrolava entre um copo de café e outro. Hoje tomava mais do que o normal, havia dormido pouco e mal. Só queria sair de lá, mas não sabia pra onde ir depois. Ainda era jovem, talvez pudesse sair pra algum lugar, já havia visitado alguns lugares da cidade. Sozinho, todo lugar é a mesma coisa, só depende do que você quer ver, ou do que você quer beber. Sexo? Talvez. Sempre fora estranho nesse aspecto. Acho que ainda não decidira do que gostava. Na verdade, não gostava desta imposição. Quando se tocou disso percebeu o quanto o mundo era realmente preconceituoso e excludente, o como as tradições e as concepções de séculos atrás permeavam e continuariam a permear por longos anos a realidade a sua volta. Hey! Ele voltou a si.
 Precisamos desse relatório pra semana que vem, o fornecedor ainda não respondeu aos e-mails? Nenhuma novidade ainda, acho que vou precisar ligar lá,e se nada funcionar, vou precisar pedir que os visitem. Ah, esses incompetentes, pagamos em adiantamento, e sempre atrasam!
Ela realmente pensou que estaria recuperada. Só mais aquele dia, e então o ar fresco da insegurança, ter de lidar com aquilo, não queria que ele sofresse, mas não havia como. Só contava com sua boa vontade pra ajudar no processo. Fizera o café, preparara torradas. Ele já estava de pé.
 Olhou, agradeceu. As vezes era meio folgado, mas não era mal no todo. Ela só não conseguia mais sentir aquela ligação, agora era indiferença. As vezes gostava da conversa, mas na maior parte do tempo só achava perda de tempo. Mas agora tudo isso não teria importância, ela já havia tomado sua decisão. Já estava arrumada, ia pro trabalho, aproveitaria o tempo no trânsito pra saber como lidar com tudo isso. Sabia que pensaria tudo com calma, mas acabaria remoendo tanto que faria da maneira que não imaginara. O trânsito estava lento. Podia observar as pessoas apressadas, pra lá e pra cá. Vidros fechados, medo de assalto. Várias motos pra lá e pra cá, não entendia do assunto, mas uma larga, parecia um quadrado, com cores negras porém muito reflexiva chamara sua atenção por alguns segundos. Só algo com que se distrair pra tentar respirar um pouco e desenvolver a linha de raciocínio sobre o assunto que realmente lhe interessava hoje. Acho que depois disso nem seria tão difícil. Conhecia muita gente, e poderia voltar a sair com a galera, relações mais variadas, conversas variadas, mais confortável. Conhecer gente nova, com certeza.
 Chegara a Empresa, o salão amplo, terceiro andar, milhares de cubículos. Havia estudado administração de empresas, mas trabalhava praticamente como supervisora, as vezes vendedora, as vezes compradora, as vezes gerente. Aprendera tudo sobre economia, era nova, mas muito astuta, no fundo amava trabalhar, estudava muito, sempre que podia. Organizara suas coisas, enquanto trabalhava não pensara tanto sobre o assunto, não tinha tempo pra isso, estava preocupada com um relatório que deveria estar terminado até o fim da semana, para ser entregue na outra, referente a uma compra que havia realizado. Dependia do feedback de setor de análise de contratos, passou lá rapidamente para dar uma apressada no andamento da coisa, sem pressão, tinha jeito pra lidar com as situações. O dia até que passara rápido. Na hora do almoço, sentara na praça em frente a empresa. O tempo estava nublado, fazia um pouco de frio, e agora ela pensava um pouco mais sobre o que faria depois. Precisava dar um jeito na sua vida. Cansou-se, talvez não quisesse se estressar tanto com as coisas. Por ali havia um café, na verdade, uma mistura de livraria com café. Nunca havia entrado, mas tinha uma fachada famosa. Quem sabe um outro dia? A hora do almoço já estava terminando. Enquanto caminhava de volta, observou estacionada a tal moto que havia lhe chamado a atenção.

Ao fim da tarde ele não sabia exatamente o que faria ainda. Não queria voltar pra casa, acho que só queria beber um pouco, ouvir uma música rápida, gastar energia. Já fazia meses que não fazia sexo. Isso o incomodava, e relutava em admitir o quão fútil era por depender tanto de algo tão simples de ser resolvido. Na verdade, enfrentava dilemas internos ainda, coisas que tentava resolver já há tempos, mas sempre na indecisão, o que lhe deixava em uma situação de crise, de insegurança, o que talvez fosse bom, tendo em vista a natureza comodista de quase todas as suas atitudes ultimamente. Último café no trabalho. O tempo nublado da hora do almoço havia passado e a noite estava limpa, as estrelas pareciam diamantes encravados num tecido de veludo, e ao sair do trabalho deu uma volta com Bucéfalo. Ainda estava de roupa social, mas não dava a mínima pra isso. Só seguia lentamente, pra lá e pra cá, olhando as ruas, pensando que talvez pudesse entrar em algum lugar pra se distrair. Pensando bem, talvez não fosse uma boa ideia encher a cara.

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

[4]

Já eram sete da manhã. Ele dormiu pouco, é verdade, mas acabou acordando com o sol que entrava pela janela e o frio natural deste horário. Ainda usava a camisa preta, amassada, de ontem, estava usando apenas ela. Levantou-se, foi direto para o chuveiro. Esperava que a ideia tão forte e fascinante da morte na noite anterior fosse atiçar seu gosto pela vida. A  morte parecia distante agora, mas a vida continuava a mesma monotonia.
 Enquanto a água caía, passava a mão pelo rosto, no cabelo, pensando no que teria de fazer durante o dia. Ir para o trabalho, tomar café pra não desabar, andar no meio de pessoas que ele nunca conheceu nem jamais vai conhecer. Milhares de oportunidades, sucessos e fracassos, andando ao seu lado, sem nunca serem ao menos tentados. Ninguém saberia que, no dia anterior, ele fora tomado por uma real vontade de dar fim a vida. Ninguém iria notar a sua ausência nessa multidão.
 Primeiro iriam ficar espantados com a morte repentina, afinal, tudo parecia tão em ordem. Depois repetiriam consigo mesmas o quão novo ele era, e o quanto tinha pela frente, como se as pessoas mais velhas já não tivessem mais poder de descobrir e fazer coisas pela frente. Uns poucos iriam para o velório do que restasse do corpo, diriam umas palavras falsas, hipócritas, gente que nunca o conheceu de verdade. Por fim os trâmites legais seriam resolvidos, e dali duas semanas ninguém mais saberia de sua existência, a não ser como causo nas festas de final de semana, algo dramático e distante, como um filme qualquer, algo irreal.
 Acabara de tomar o banho, e já se uniformizava, vestia-se da maneira padrão, exigida na Empresa. Roupa social, simples, completa, que pagava para serem limpas e passadas com parte do salário de escritório. Já descera as escadas do apartamento, pegaria a moto e iria para o trabalho, mergulhar rotina a dentro novamente.
 Como vivia sozinho, conseguiu juntar dinheiro ao longo do tempo para comprar uma moto ao estilo café racer, era negra e larga, os guidões para baixo, característico. Dera um nome, Bucéfalo. Nunca pensou que gostaria de ter uma moto para si, gostava do aspecto, mas nunca sentira vontade de pilotá-las, não se lembrava mais o que havia ocasionado a mudança. Pois bem, seguia com Bucéfalo para a Empresa, os carros e as cabeças das pessoas ao lado. As vezes imaginava, enquanto cruzava as velhas ruas, suas marcas, de tinta, de sangue, de vidro, de álcool, que galopava numa planície onde uma guerra acabara de terminar. Corpos por todos os lugares, sonhos perdidos, sangue regando as plantas, o dia e a noite totalmente indiferentes. Mas agora já voltara à realidade, nem se quer se preocupava com o evento de ontem a noite, não se dera conta da magnitude ainda. Talvez eu precisasse de ajuda. Talvez eu devesse procurar  um amigo. Talvez eu devesse me focar mais no trabalho. Talvez eu não devesse esquentar tanto a cabeça. Talvez se eu tivesse menos tempo livre. Talvez se eu tivesse mais tempo livre. Não, isso não fazia sentido. Sua vida não era assim, e estes raciocínios serviriam apenas para esconder de si uma realidade evidente, uma vida medíocre e repetitiva, sem grandes expectativas, sem grandes derrotas, sem grandes superações. Apenas juntando dinheiro, acumulando coisas, conversando amenidades, suportando tudo isso.
 Não que não tivesse vontade de viver mais, era só que as coisas haviam convergido pra mesmice. Era só que ele nunca arriscara demais, nunca fizera nenhuma grande bobagem. Sempre jogando pelo caminho certo, sempre seguindo a cartilha. Tudo bem, tinha o seu lado alternativo, mas era uma rebeldia comedida, algo até mensurável, esperado. Ouvia o seu rock, ouvia o seu punk. Tinha suas roupas pretas, gostava de gastar a energia acumulada fazendo exercícios em casa. Mas nunca fizera nada fora da caixa. Nos relacionamentos que tivera sempre procurara se moldar, procurava se adaptar para beneficiar a outra parte, ou talvez para se beneficiar, procurar outra situação de equilíbrio - leia-se comodismo. Isto num certo sentido causou um certo atraso na formação dos seus gostos pessoais, nas ideias, por outro lado lhe abriu a mente para outras experiências, outras opiniões, novas sensações. Já pensara em se casar, já pensara que Deus existia, já pensara que talvez fosse possível ter uma convivência em que as pessoas não enjoassem de si. Já não acreditava mais nessas coisas. Seria bom acreditar, ele dizia, mas não conseguia mais, e no fundo acreditava ser melhor assim.
 Eu me pergunto, qual foi a faísca que ocasionou aquele episódio. Milhões de pessoas vivem nessas condições, sem pensar nem se quer em quem são. É complicado. Algumas vivem sem se quer poder pensar, mesmo que quisessem. Algumas se quer vivem. Mas nós ainda não presenciamos suicídios coletivos dessa magnitude, eu acho.
 Não sei se o principal motivo foi algo externo, algo dito, feito por alguém. Ou se as coisas foram acontecendo aos poucos, e a mente foi trabalhando sobre isso, até finalmente colapsar, não conseguir mais manter o mínimo de coerência, fugindo para a segurança certa. Talvez esta tenha sido a primeira tentativa de muitas, felizmente nem chegou a se concretizar enquanto ato.
 Enquanto eu divagava, ele chegou ao trabalho, tomou um grande copo de café, e se sentou no seu canto.