domingo, 18 de agosto de 2013

O Feminino II

Não é possível olhar nos teus olhos.
Apenas a sugestão da sua presença, da sua imagem, já causa uma dor surda e paralisante. É necessário - como eu sou fraco - que os meus olhos fujam para fora da realidade.
E, no entanto, meu veneno me atinge, penso tudo como se cada momento da vida devesse ser uma obra de arte, uma fotografia instantânea, e penso, sou um bom artista? sou um bom modelo? O feminino me ofende, porquê sou fraco, e ele é forte, sente nojo do fraco.
E quando quero poder, eis que busco expressá-lo ao máximo. E essa antinomia do corpo masculino e o poder feminino faz com que, da perspectiva histórica, ao buscar o máximo atinja o meu mínimo.
Seria isto tudo prisão social? mental? Seria possível buscar esse poder?
Que medo você me causa. Minha mente foi tão deturpada que em todo o meu intelecto e em todo o meu dia a erotização está presente. E você é - no meu mundo moldado e machista, estereotipado, apesar de toda o pensamento - a condensação do Erótico. E é algo além do meu alcance, e por isso o medo. Temos medo de tudo àquilo que pensamos não poder enfrentar. E eu já não posso ao menos suportar.
Desejo secretamente que você venha me atacar, por fora, não mais por dentro, e que eu sinta seus dentes, meu sangue derrame, ainda quente, e que tudo se misture a lágrimas e gozo, e o calor o prazer e a dor inundem o meu ser, e eu possa sentir em sua plenitude o feminino do medo e do erótico, que é o que existe em minha cabeça.
Admiro o poder feminino, mas o tempo, pois o desejo, e sei que sou incapaz.

Nenhum comentário:

Postar um comentário