quinta-feira, 5 de setembro de 2013

O Quarto

Ouviu isto? Que será?
Não sei. Olho para os lados e só vejo as sete cabeças deste quarto de quatro paredes.
Não vejo saída possível. Alguns raios de sol entram como pequenas gotas de uma garoa luminosa.
Novamente este barulho.
Meu coração palpita e quase sinto minhas têmporas incharem e pulsarem em ritmo alucinante. Será que o cheiro de mofo finalmente será renovado? Será que este ar carregado de meu suor será aliviado? Quero tanto ver a luz do dia... mas tenho medo. Não quero ficar cego.
Penso, melhor seria ver, toda a vida, uns poucos metros quadrados de um quarto cinzento, ou alguns segundos da imensidão dos campos abertos?
Ah! Olhos esbugalhados. Pupilas finas que ziguezagueiam nas órbitas dos olhos. Aquele barulho novamente.
Não vou suportar.
Os esparsos focos de luz se difundem e se esvaem.
Agora é o mundo que gira, não mais seus olhos.
E o cinza se torna escuro.

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