terça-feira, 24 de setembro de 2013

Dias

Lépidos paralelepípedos. Acho que eu deveria criar um personagem chamado Osdias. Osdias seguem sem mudança de temperamento, sujeito calmo. Se bem que de vez em vez dá umas surtadas.
Que cara terá Osdias? Não sei, mas ele precisa de alguém pra contracenar. Provavelmente aquele cara da quitanda, Seu Dia. Melhor, Seus Dias.
Seus Dias, vê-me aí dez pãezinhos, por favor.
E segue Osdias com a boca cheia de café e pão.
Que coisa, mas já não o vejo há algum tempo. Como será que vai o Seu Dia?

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Pipiriti-pa-ti-pu

Quando a estabilidade é criativa. Hm, realmente algo que eu não me lembro de ter experimentado até esses tempos, impressionante. Estudar um pouco no final de semana, academia diariamente, conhecendo pessoas legais, conseguindo estudar com menos dor agora!
Ainda preciso preparar um relatório para o Adair, mas vai dar certo.
Tá, talvez essa estabilidade não seja lá tão criatividade. Mas acho que isso é menos culpa dessa calmaria, do que da falta de leitura. Empolgado com a engenharia de novo... É, tem louco pra tudo!

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Diário V

Acordei cedo. Dormi na sala na noite anterior, muitos pernilongos. Aula de sistemas de controle. Depois práticas em fabricação, com o Eraldo, foi legal :)! Almoço no bandeco, depois pra academia. Voltei pra casa, café e bolacha, estudo. Estudei até umas 18h, depois voltei as 19h30. Parei depois de mais uma hora. Facebook. Música, Dream Theater e Steve Vai. Hoje está muito calor, tentei escrever algo diferente mas não consegui. Não sei se quero ir dormir, mesmos problemas de ontem. E amanhã? Acordar cedo, provinha.
Outras preocupações. Vai entender...

domingo, 15 de setembro de 2013

Vós

Flores loucas em um quadrado ondulado, disforme. Verde, laranja, amarelo. Escuro, claro.

Existiu um homem sem pátria, nem nascimento.
Incônscio de toda moral.
Seguia este homem por um caminho, e nesta terra viu outros que matavam suas crianças em nome de um Deus.
Olhou, viu a cor do sangue, e os gritos histéricos, e os ululus desvairados que ecoavam do altar.
E não sentiu.
E o nome deste Deus era Morrendo.

Seguia este homem por um caminho, e agora via homens que matavam as crianças dos outros. E se matavam. Em nome de um Deus.
Olhou, viu a dor do negro, da pele e da fuligem, e o fulgurar violento das pedras preciosas.
Respirou fundo a fumaça.
E não sentiu.
E o nome deste Deus era Morrendo.

Seguia este homem por um caminho, e tinha diante dos olhos homens que se enganavam, e todos se matavam. Em nome de um Deus.
E o nome deste Deus era Eu.


Passos

Cabeça borbulhando, borbulhando, borbulhas.
Sempre que paro pra pensar penso em cataventos coloridos
Não sei exatamente a razão, mas os cataventos tem qualquer coisa de torpe.

As vezes vejo fitas coloridas.
Sonhamos com tudo tão real, mesmo o imaginário é um real plausível. Afinal, como imaginar um mundo onde não se é? Se se é, se imagina que se é, ou... espere. Que confuso! Será que não sou mas imagino que sou?

Enfim.
Tentamos enxergar além das cascas.
Medo de sentir medo.
Medo de não sentir medo.

Talvez a alegoria de Jesus caminhando sobre as águas seja uma maneira de dizer que era um homem que sabia lidar com suas inseguranças. Como caminhar com certeza sobre um caminho de vida mais fluido e mais bravio do que o pior dos mares?

sábado, 14 de setembro de 2013

Gaiato

Vagabundo descarado, isto é.
Pseudo intelecto mascarado, logo se vê.
Um vazio manchado, entristecido pelo tempo, um suor suado, esquecido, não lavado.

Vangloria-se, veja o que fiz!
Mas cala-se ao que faz?

As vezes me acometem tais pensamentos, de forma incerta, ornamento do desprezo próprio.
Quero sonhar e sonho, e me esqueço de tudo, e o respirar é algo duvidoso.

A conexão com a realidade é valiosa, embora me pareça ilusória. Fico em dúvida se isto é sinal de mesquinhez, ou reflexo do vazio sentimental, falta de empatia. Minha idiotice chega a querer pensar que isto é qualquer coisa de intelectual. Ora, faça-me o favor!
De uns tempos pra cá, desenvolvi certo asco em relação ao desapego completo. Não me pergunte razões. As razões seriam todas humanísticas. Talvez - com certeza? - reflexo da microestrutura social em que fui criado, inserida na conjuntura macro de uma sociedade confusa, de valores múltiplos.
Temos de criar uma estrutura social interna, cujos únicos juizes somos nós, e isto não é tarefa trivial.
Um devir oscilante.

Terei forças para isto?
Dai-me, por favor, não permita que eu abandone Gaia.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Ocaso

Lembranças de um ocaso afagam meu coração.
O vazio me visitou por todos estes dias, é um inquilino inconveniente.
Quero me preencher do efêmero trabalho. Minhas mãos são como um sonho da tarde, vazio e rápido, fagulhas de uma realidade, mas seu significado e seu impacto latejam durante a noite.

Cade você? Pergunta-me o bom amigo.
Estou perdido em uma manta laranja púrpura que nunca existiu.
Morrendo dos erros que não cometi.
Pintando de esperança as vazias horas, enquanto durmo e me enterro vivo em uma redoma transparente.
Transparente.
A luz a atravessa, todos poderiam ver meu corpo se esvair.
Mas estou debaixo de uma pele de sete palmos.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Diário IV

Acordei tarde. Sem ânimo pro pirata. Fui na academia, estou muito impulsivo, preciso me controlar. Na volta cortei o cabelo. O dia passou rápido, impressionante. Saí a noite, Marcelo, Ana Elisa e a outra Ana. Nossa, mas que menina fantástica! Se eu não fosse tão doente, quem sabe. Cale a boca. Estou morrendo de sono, mas está quente e eu quero alguém pra conversar. Vou acabar dormindo tarde. Esta semana está voando.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Diário III

Acordei cedo. Tomei café, comi 1/2 pão. Peguei carona com minha prima, cheguei cedo para aula. Provinha na aula de TransCal, prova de EleMaq II após. A prova mesmo estava tranquila, é pra ter dado tudo certo. Almocei no Bandejão. Juntou uma pontada de mal-estar - nada grave - e a expectativa do tédio e matei a aula de Ambiental. Dormi a tarde, pensei idiotices. Acordei, entediado. Comi bastante hoje. Tomei banho tarde. Pedi pizza. Comi sorvete. Estou sentado com o notebook em frente a TV, entediado, sem assunto, provavelmente só vou conseguir dormir as 2h.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Diário II

Dormi tarde ontem, umas 2h. Acordei 6h15. Arrumado, limpei o alargador, imprimi tabela das práticas. Peguei ônibus 7h45 (no café da manhã comi 3/2 pão e 2 xícaras de café). Cheguei na USP as 8h05. Aula de controle. Em seguida laboratório de práticas em fabricação, o monitor enrola demais e a prática foi mal explicada, mas divertida. Esperei colegas para almoço. Salsicha, arroz/feijão e verdura. Fomos estudar EleMaq II, 14h20 fomos para aula de maq. hid., professor passou exercício e nos liberou. Fomos na sala do Jonas para tirar dúvidas, foi útil. Estudamos mais tarde, entre risadas e contos. As 18h e pouco fomos jantar. Altas discussões. Fui pegar ônibus. Desci na UNICEP, caminhei até em casa. Cheguei, comi um pouco de açaí. Peguei o notebook e escrevo para não perder o costume. Vou tomar banho, descansar e estudar para TransCal e EleMaq.

domingo, 8 de setembro de 2013

Diário I

O objetivo do diário é uma descrição pontual e objetiva do que fiz no dia. Apenas para nota pessoal.

Domingo, acordei tarde. Li um pouco, Ficções, de Jorge Luís Borges. Almocei macarrão. Estudei a tarde, elementos de máquinas. Joguei xadrez, li bobagens no computador. Pesquisei a programação da TV Cultura. Comi açaí. Jantei. Fiquei preocupado. Sentei para estudar, mas não consegui. Joguei xadrez, conversei via Facebook. Fiz algumas flexões. Fiquei no computador enquanto bisbilhotava Café Filosófico. Fiquei mais no computador. Assistindo um documentário sobre uma atriz, senti vontade de escrever. Escrevo.

If

Dando um adeus, suave e verde.
Seu pequeno rebento alça voo, vai pra lá, e vem pra cá, canoa perdida em uma brisa indiferente.
Pequenos rebuliços. Farfalhar de nervosismos.
Acho que foi demais para a esquerda. Não, não, demais à direita!
Girou, cambalhotou, mas ainda vai pra lá e pra cá em seu voo valente, macio como cheiro de amêndoas.
Sempre persistente, para baixo.
Entrega-se ao solo, afinal.
E ao tempo.
Dá então seu adeus quebradiço e enferrujado.
 Quebrando o silêncio deste céu opaco, o réquiem de uma banda de folhas verdes.

Jovelhices

Buraco na carne, preenchido com um material da industria contemporânea: polímero.
Um símbolo do vazio interno, preenchido pela falta de ideal da produção: consumir para esquecer e apaziguar.
Talvez um pouco de dor e adrenalina comprados, para, ao mesmo tempo, complementar e identificar, a ideia momentânea com o cotidiano.
Tudo bem, tudo bem, só se tem vinte e dois uma vez.

E o engraçado é que agora sinto a necessidade de ser mais velho do que nunca.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

O Quarto

Ouviu isto? Que será?
Não sei. Olho para os lados e só vejo as sete cabeças deste quarto de quatro paredes.
Não vejo saída possível. Alguns raios de sol entram como pequenas gotas de uma garoa luminosa.
Novamente este barulho.
Meu coração palpita e quase sinto minhas têmporas incharem e pulsarem em ritmo alucinante. Será que o cheiro de mofo finalmente será renovado? Será que este ar carregado de meu suor será aliviado? Quero tanto ver a luz do dia... mas tenho medo. Não quero ficar cego.
Penso, melhor seria ver, toda a vida, uns poucos metros quadrados de um quarto cinzento, ou alguns segundos da imensidão dos campos abertos?
Ah! Olhos esbugalhados. Pupilas finas que ziguezagueiam nas órbitas dos olhos. Aquele barulho novamente.
Não vou suportar.
Os esparsos focos de luz se difundem e se esvaem.
Agora é o mundo que gira, não mais seus olhos.
E o cinza se torna escuro.

Pílula de imaginação

Segue o dia e a delicada flâmula dos meus pensamentos balança em meio a brisa do silêncio.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Simples, pois

Será que devo começar agora a tentar tecer ideias complexas, entrelaçando objetividade e subjetividade, para justificar a simplicidade da vida? É fácil pensar, sentir - no sentido de que é automático. Difícil é se expressar e compreender o que se sente.
Tenho passado muito tempo tentando ter 'pensamentos profundos' sobre a vida... Estranho que isto parece exigir uma sinceridade que machuca, pois revela a hipocrisia. Realmente, não é um passo fácil para alguém ser sincero consigo e com os outros. Muitos têm um medo, socialmente construído, de expor suas vergonhas, até mesmo de admiti-las para si.
 Buscando ideias de alguns escritores, achei que somente livros de filosofia e sociologia me dariam novas perspectivas no espectro da vida. No entanto, é a literatura quem transmite de maneira sútil, mas tão mais inteligível, ideias acerca da vida.
Fico até pasmo quando pego um livro puramente honesto. Como é contrastante com a rotina. Por que até mesmo a realidade é uma mentira, ilusão, ao menos parcial. Será que ainda conseguimos, ao menos no campo das ideias, incluindo seu reflexo ativo, sermos sinceros?
Este é o primeiro passo, acredito, para começar a ter 'pensamentos profundos', e veja que, como disse, tenho passado muito tempo tentando tê-los. Isto é, tenho passado muito tempo não sendo honesto comigo mesmo. Centenas de firulas sobre a vida, a imensurabilidade de seu valor - se bem que, neste caso, não faz sentido falar de valor - a angústia de existir, a falta de relações amorosas, o sentimento de solidão mesmo com amizades significativas, com uma família admirável.
O problema todo esteve em expectativas (será? preciso arriscar para desenvolver a ideia). Só não sei se o excesso ou a falta de. Chegou ao ponto de eu não conseguir ver a beleza de um pôr do sol, da brisa nas árvores, no rosto. Sei que isto é um tanto romântico, mas não deve ser exatamente comum ter o apreço a estas coisas resumido à racionalidade. Isto é bonito por causa disto. E a admiração se fecha aí, sem qualquer brisa no coração, sem qualquer alteração da pulsação, sem aquela sensação de renovação psicológica. Toda a motivação para a criatividade se encerra sob modelos de sucesso, conceito também socialmente construído, frágil e mutável, e tão misleading. Talvez questione a fragilidade. Acho melhor dizer que talvez não o modelo em si seja frágil, mas a sua percepção pelos indivíduos, estes, sim, frágeis.
De qualquer forma, o que quero aqui? Só me falta o pequeno local enclausurado, e o anonimato do leitor serve da tela trançada que esconde o padre, para receber minhas confissões. O fato é que busquei construir explicações necessariamente complexas, tortuosas, numa tentativa talvez estúpida, derivada dessa formação razoavelmente racional, de explicar tudo sob hipóteses, como se fossem teoremas e seus corolários. Fui me destituindo de diversas concepções éticas e morais pois eram socialmente construídas. Expus-me ao ridículo e tomei atitudes arriscadas, e até agora estas coisas todas estão embatendo-se dentro de mim. Por fim, cheguei a desvalorização da existência, isto é, a falta de sentido em viver.
Fatalismo racional.
Bem, talvez esteja mais claro, era excesso. Reduzi a expectativa, simplifiquei as explicações, tornei o mundo mais tangível. Como que em um passe de mágica (sim, eu sei que o truque é efêmero, mas tomará possa repeti-lo com constância) a realidade se tornou relativamente tranquila. Senti vontade de trabalhar, faiscando a ideia de que até mesmo o trabalho racional é criativo, e o é.

Sem vontade I

O tédio é tanto que estou entediado de ficar entediado. Ponho-me a trabalhar, então.
Arrisquei os orientais. Mas que coisa engraçada, minha identificação com um foi tão miscível quanto óleo e água. Com outro, já não sei dizer que líquido veio de onde, nem onde está ou pra onde vai. Homogeneização quase que total.
Será que o meu modo de vida tem me levado à essa urgência em tudo? Se bem que hoje estudei com tranquilidade, mas com frequência sinto uma certa tensão, uma ansiedade - pressa talvez? Pois bem, dei-me o luxo de ler estes livros a noite, e não é que a tal sensação de pressa também surgiu!
Em geral procuro respirar fundo e manter o ritmo, lição aprendida nas corridas. Mas hoje simplesmente deixei correr, tentei deixar meu corpo e meu subconsciente lerem pra mim, mero ouvinte, e esta maluquice fluiu em certas pontadas de graça. O texto deslizava enquanto as imagens se formavam em flashes bem a frente de meus olhos, e eu podia sentir o movimento de vai e vem, semelhante ao de uma jangada, que meus olhos faziam. Não perdurei muito tempo, quer dizer, não que tenha tomado consciência, neste modo, mas de certo foi uma experiência diferente.
Hoje não estou me sentindo solitário, para variar, na verdade, qualquer coisa de... não sei... satisfação? Não, não é isso. Ah, sim. A vida não é tão complicada como gostaríamos. Melhor. Talvez até seja, mas não conseguimos fazer jus a essa complicação... Sei que vai discordar de mim, mas em momento oportuno vou tentar ser mais claro, tentar discernir direito esse gérmen de ideia.
Pra ser sincero, vim aqui apenas para manter o costume, e dar um tom um pouco diferente do solitário-maníaco-depressivo da maioria dos posts!

domingo, 1 de setembro de 2013

Dois minutos de vida e morte

Etiquetas de valor social: vivo em uma época tal que meu comportamento é a receita do fracasso - definido neste efêmero contexto. Tento tocar o ponto mais interior destes questionamentos, determinar qual é a pedra angular. Mas como tocar o centro de algo oco?
Estamos, ao mesmo tempo, tão cheios e tão vazios, somos fluídos mutáveis e sólidos perenes. Pequenos Ulysses esquecidos no tempo, horas de mar bravio.
Minha imaginação empina minha cabeça, com letras em sua rabiola. O céu é tão grande, meu voo desvairado e incerto, balanceia como uma barca celeste -salve meus animais interiores, querido Noé!- se esquiva e, no entanto, sobrevoa sempre os mesmos pastos e os mesmos campos. Os mesmos rios de piche e troncos de concreto.
Ninguém se lembrará do náufrago que chorava pela terra partida, que morreu afogado, está em queda livre, mas tão somente do incompetente capitão, que a tudo deu um fim, se ao menos tiver feito fidedigno. Sou um belo mentiroso. Minto tão bem que engano a mim mesmo. Por exemplo, neste momento, finjo tão bem que vivo. Mas que vida há, de verdade? Como diz Clarice, quando não escrevo estou morta.
Se estou morto agora que escrevo, quanto mais quando não o faço, e olhe que não sou nenhum Machado, mas talvez até molhe meus pés em cubas. Se bem que esta coisa toda venha a me render umas casmurrices irracionais.
Algumas vezes fico pensando como é que se encarou a realidade alguns anos atrás. Sinceramente, boa parte da minha é enquadrada e virtual - o que fortalece a sensação de que toda a realidade é virtual, isto é, que não há tal de fato e que a vemos apenas sob sua sombra sensual, cruel e distante, em um biombo. Tenho o enquadramento da tela do computador. O enquadramento dos meus óculos. O enquadramento fosco dos olhos. O enquadramento da minha mente - sou assim tão quadrado? És praticamente um cubo, só te falta tampar a boca e os fundilhos!
Este último quadro é o mais forte. Ah, sim, como mostra sua força, minha querida! Mais do que um enquadramento, são grades que te acompanham todo o tempo, com a doce ironia de também ser a serra.