Suspeito ter ouvido um soluço, a garganta engolindo em seco. Sua testa está dominada pelo suor.
Agora ele admira a porta, enquanto tenta esquecer o recém ocorrido. Sua confiança desapareceu, parece uma criança aprisionada. No fundo, ele queria ter perdido toda a noção da realidade. Mas ela ainda está ali.
Os livros não se levantaram pra tentar impedi-lo, o velho sofá companheiro permaneceu indiferente à sua instante insanidade que poderia lhe ter custado muitos anos de poeira. Apesar de sua inconsciente percepção de que seus melhores amigos não eram tão ativos assim, no fim sentiu certo alívio. Afinal, eles não se negaram a abrigar sua mente quando ele retornou da tentativa de abandoná-los para sempre. Afinal, ele não reclamou quando abrigou seu corpo gélido e pálido - mesmo com sua pele morena - quando retornou da tentativa de abandoná-lo para sempre, deixando todos as traças e ao tempo, sem história nem recordação.
Estava grato por aqueles que sustentavam sua mísera existência, confirmada neste próprio sentimento. Não havia nada de fatalmente errado com sua vida, a uma primeira vista. Aos olhos dos vizinhos, era um homem muito equilibrado e respeitado, silencioso e educado, por que, pensavam eles, "lia muito". Nem passava por suas cabeças que estava tão corroído por dentro. Que ele não tinha mais família, mas tinha um gosto amargo pela solidão. Se quer sabiam sua história, ou se interessavam em saber. Também não haveria abertura para tal.
Agora lavava o rosto na pia, o rosto liso e os cabelos negros revelavam rapidamente sua feição pelas atividades mentais. Os óculos, que lhe permitia se esconder sempre da multidão por trás de uma placa transparente, como um observador externo e protegido em seu casulo, contruibuiam inevitavelmente para isto.
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