segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

[3]

Se dirigiu então para o negro sofá, e se jogou sobre ele. A cabeça afundada no canto, o corpo largado. Por um instante imaginou se a sensação da queda, do vento fazendo seu ínfimo esforço para impedir o fim da vida, não seriam amargos o suficiente para serem admirados. Adormeceu.

 Ela acordara já há algumas horas. Ficara olhando para o teto enquanto pensava, não, procurava não pensar, mas não havia como. Olhou para o despertador, era por volta das cinco da manhã... algumas horas até alguém se mexer. Do outro lado se encontrava um corpo, de onde se via somente as costas, enrolado no cobertor, que se remexeu brevemente, fez um resmungo qualquer e continuou ali.
 Ela respirou fundo, se levantou, foi até a pequena mesa que ficava no canto do quarto, acendeu a luminária e ali se encontravam papéis e livros, estes organizados, aqueles espalhados e desordenados, mas não traziam nada de importante. Começou a passar os olhos sobre as linhas, diferenciando uma palavra ou outra, lendo no modo automático, mas não era sono, ou tédio, era só indiferença, só falta de vida. Sentia saudade dos velhos tempos quando sempre havia algo com que se entreter, algo novo pra experimentar, pra arriscar, sempre fora assim.
 Fechou o livro, e olhou a sua volta. O quarto arrumado e silencioso, estava gélido, tinha toda uma atmosfera de repetição, de comodismo. E então teve vontade de parar de respirar, era muito massante respirar aquele mesmo ar por tanto tempo. Ela se sentia sufocada, não conseguia mais respirar. Se ao menos não fosse tão necessário, se não fosse, ela já teria mudado, teria partido, teria gritado. Não que não tivesse boas recordações daquele lugar. Era só que era peso demais, um peso desnecessário, uma mesmice. Se ela pudesse abandonar, ainda teria boas memórias, mas eram memórias velhas, na época com o gosto bom, mas que se tornou enjoativo, envelheceu, acabou rançoso e ela não podia mais suportar aquilo. Sabia que isso eventualmente ocorreria, não sabia nem como havia se metido nesse estado permanente, não sabia como pudera acreditar que daria certo, se ressentia disso um pouco, mas no fundo sabia que não era assim. E agora o que ficava? Mas não tinha problema. Os pulmões do corpo deitado ao lado se mexiam levemente, mas isso só contribuía para infestar o ar com sua respiração, da qual ela já havia enjoado, enojado.
 Até que tentou mudar de ideia, pensou mais um pouco, mas no fundo não queria, era inútil. A decisão já havia invadido sua mente, e ela sabia que era o que seria o melhor no momento. E ela se foi, pra sua recriação, para sua renascença. Já havia passado tanto tempo, e aquele ar ainda se arrastava por aí, mas ela não se prendia mais, a liberdade estava presente, pensou que estaria recuperada.

domingo, 30 de dezembro de 2012

[2]

Suas costas deslizam lentamente pela parede, para uma queda brusca há poucos centímetros do chão. As mãos no rosto, escondendo o olhar. Encolhido sob si mesmo.
Suspeito ter ouvido um soluço, a garganta engolindo em seco. Sua testa está dominada pelo suor.
Agora ele admira a porta, enquanto tenta esquecer o recém ocorrido. Sua confiança desapareceu, parece uma criança aprisionada. No fundo, ele queria ter perdido toda a noção da realidade. Mas ela ainda está ali.
 Os livros não se levantaram pra tentar impedi-lo, o velho sofá companheiro permaneceu indiferente à sua instante insanidade que poderia lhe ter custado muitos anos de poeira. Apesar de sua inconsciente percepção de que seus melhores amigos não eram tão ativos assim,  no fim sentiu certo alívio. Afinal, eles não se negaram a abrigar sua mente quando ele retornou da tentativa de abandoná-los para sempre. Afinal, ele não reclamou quando abrigou seu corpo gélido e pálido - mesmo com sua pele morena - quando retornou da tentativa de abandoná-lo para sempre, deixando todos as traças e ao tempo, sem história nem recordação.
 Estava grato por aqueles que sustentavam sua mísera existência, confirmada neste próprio sentimento. Não havia nada de fatalmente errado com sua vida, a uma primeira vista. Aos olhos dos vizinhos, era um homem muito equilibrado e respeitado, silencioso e educado, por que, pensavam eles, "lia muito". Nem passava por suas cabeças que estava tão corroído por dentro. Que ele não tinha mais família, mas tinha um gosto amargo pela solidão. Se quer sabiam sua história, ou se interessavam em saber. Também não haveria abertura para tal.
 Agora lavava o rosto na pia, o rosto liso e os cabelos negros revelavam rapidamente sua feição pelas atividades mentais. Os óculos, que lhe permitia se esconder sempre da multidão por trás de uma placa transparente, como um observador externo e protegido em seu casulo, contruibuiam inevitavelmente para isto.

[1]

 Lentamente oscilavam. A tela branca emoldurada por um mundo negro, com tons pastéis. Luzes mortas piscavam desesperadamente, são os rabos recém cortados da lagartixa. O natal passou há pouco tempo.
Faz tão pouco tempo. E parece que está tudo fora do convencional.
 Lentamente oscilam. Mostrando sua presença, pulando do meio da escuridão. Em tons tristes, é verdade. Mostrando apenas os contornos indefinidos e as curvas elegantes que me fazem lembrar da vida. Por que será? Mas ela é o símbolo disso, creio eu. Tão longeva, e tão triste, nesta noite fria.
 Ele sentiu vontade de sair pra caminhar. Antigamente gostava muito disto. Mas hoje tem medo da sua própria imaginação. É perda de tempo viver o que não existe. Ou talvez seja útil. Um projeto, uma imagem, de algo que nunca vai ser.
 Observar o mundo como um cão acuado, maravilhando-se consigo mesmo enquanto olha o entorno. Mas acho que hoje não quer olhar pra nada. Está sentado em frente a janela, e observa, sem olhar, atentamente a noite. Na verdade, olha dentro de si mesmo.
 Não sei exatamente o que se passa em sua cabeça dessa vez. Seu olhar é vazio, está bem longe daqui, não há como saber.
 O cômodo possui uma poltrona escura num canto, já bem velha, provavelmente viera junto com o apartamento. A mesa abriga inúmeros papéis. Pilhas de livros se espalham em volta dela, no chão, sobre ela. É a mesa sobre os livros. Será que ele leu todos eles? Acredito que sim.
Mas hoje não quer ler. Ele só olha pela janela -sim, agora ele olha - e o olhar está fixo, ele não está perdido. Está muito distante, é verdade, mas parece tão confiante de si.
Levanta da cadeira, e caminha em direção a janela. As pernas, antes próximas do peito, enlaçadas pelos braços, agora estão para fora, penduradas: Ele olha abaixo a cidade.
Os pés estão imóveis, pesados, quase como mortos. Seus olhos agora se focam no movimento indiferente da cidade.
 Não consigo ainda saber o que se passa em sua cabeça, mas já se pode ter uma vaga ideia.
 Parece tão claro que ele quer se jogar. Ele quer tanto.
 Mas tem medo. Tem medo de falhar, tem medo de não se deixar dominar, de no último instante repensar o desastre, e então será tarde demais.
Gostava de caminhar. Ainda não sabe se entregar ao medo e a incerteza. Eu o observo, esperando a resolução.
Agacha sobre o parapeito, as mãos esticadas sobre as laterais ainda o mantém deste lado da realidade.
A imagem é um tanto atormentadora para mim.
Realmente, eu sei que vai ser uma perda trágica, para um mundo cercado de tédio. De pessoas enfadonhas e suas vidas mesquinhas e pequenas.
Ele ali, sozinho em sua loucura, em seu sofrimento, foi maior, e ninguém sabe .Continua a olhar, e flertou com bastante sedução.
Uma das mãos já se soltou, agora se estica para frente, enquanto faz movimentos suaves, tentando sentir o vento, a vida da cidade que só existe acima dela.
Olha mais uma vez para baixo, e a cidade continua o seu monótono movimento. E então ele se vira pra dentro. Tudo parece não ter passado de um insano sonho. Mas sua vida medíocre está de volta. Todos os erros e arrependimentos, todas as tristezas e ressentimentos, resumidos num quarto sujo de um hotel.


Dias bonitos.
Noites divertidas.
Dias solitários.
Noites acompanhadas por sons de uma máquina sem sentimento.

É a única coisa que me suporta agora.
É só ela quem quer minha companhia.

Quero sua companhia.
Eu me mexi, ta bem?

Quem liga cara?
Ninguém da a mínima.
Você se fodeu e não tem mais saída.
É isso.

E vai continuar um fodido idiota, por um bom tempo.

Sério velho, por que eu ainda tento?
Caramba! Mas que saco!
Até quando se vai ficar nisso velho?!
Puta cara idiota do caralho!

Nota mental, não ficar nunca com pessoas carentes e imaturas.
Só dão trabalho, não sabem lidar com a falha e ficam enchendo o saco infinitamente.


Horas me torturando.
Horas me torturando.
Horas me torturando.
Socorro.
Eu tentei.
Estou tentando.
Mas eu tenho pressa.
Está difícil pra mim.

Não quero me torturar.
Não quero.
Quero me esconder.
Num buraco.
Quero sumir do mapa.

Por que tanto drama?
É o costume, o comodismo.
É a falta de coisa banal.

Sua bunda mole e massante.
Seu papo chato e desinteressante.
Nem sei como pude ser sua amante.
ITS OVER ITS OVER ITS OVER ITS OVER ITS OVER ITS GOD DAMN IT OVER WHY DEAL WITH IT! FUCK!


sábado, 29 de dezembro de 2012

Onde estão? Onde estão todos que eu não conheci?
Queria tanto conhecer... Não sei bem, se sou normal. se estou perdido.
Se quero me enganar.
Tudo parece se resumir a uma única coisa.
O medo, a repulsa, o esconderijo secreto.

Onde vocês estão? É realmente uma pena não conhecê-los.
Será que o que eu quero é muita loucura? Será que o que desejo é totalmente insano?
Tenho de parar... chegaram.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Quanto vale a liberdade? Eu ouvi a música.

Quanto vale não carregar meu fardo?

Eu só peso e peso e peso e peso.

Talvez seja melhor seguir a lei gravitacional de newton.

E tornar fraca a minha gravidade pra você.
Quero energia.
Quero poder, quero movimento.
Quero dançar.
Quero o enlace da imaginação em torno de tudo.
Hoje é a noite do querer.

Quero ver as estrelas rodando.
Quero girar e ver tudo parado.
Quero sonhar acordado.
Quero viver mais, e mais, e mais.
Hoje é a noite do querer.

Mas não quero tudo.
Quero vida. Quero calor.
Sim, a energia.
Onde está?

A noite é fria, o ar gelado.
A TV está ligada, assim a noite é menos solitária.
A voz acalenta.
Por sorte a música é alegre, é cheia de vida. Sim, Malaguenã.

Quero vida.
Não quero me arrastar mais.
Por que você volta?
Não quero mais!
Por que abusa de mim assim?
Já não foi dito?

Quero sentir alegria.
Quero viver no mundo dos sonhos.
A realidade é mera ilusão.
O sofrimento jamais será redimido.
A justiça morre aqui.

Quero me mover. Meus dedos correm no meu lugar.
Minha mente já está voando.
Ela tem que parar e voltar, se arrepender e reclamar, despejar sem pensar.

É um enjoo. Um aperto no peito.
Só de pensar, tenho ânsia de vômito.
E eu quis reclamar. Eu quis reclamar.
Eu não devia, eu sabia. Mas era tarde demais, eu estava embriagado, tomado.

Não quero isso mais.
Hoje é a noite do não querer.

Hoje é a noite do não te querer.
Hoje é a noite do não me querer.
Hoje é a noite que eleva o meu ser.

Pra depois sentir o sol queimar minhas asas.
E me fazer de Ícaro.
De Ícaro solitário, quero mergulhar num lago.
Quero me afundar, talvez queira morrer.
Quero respirar água, quero ver o sol brilhar loucamente.
Quero me afundar até as profundezas negras.
Sentir a pressão me esmagar.

Eu quero vida. Quero vida.
Quero calor. Quero calor.
Só queria não querer amor.

Hoje é a noite do querer a não querer.
Mas querendo sem querer, é mera bajulação pseudo poética.
Mas quem se importa?
Que se foda!

Eu quero liberdade.
Eu quero vento no rosto.
Eu quero pensamentos mais altos.
Eu quero sorrir sem medo.
Eu quero não ter medo de perder.

Medo de perder o que está perdido.
Me de não ter o que não se tem.
Maldito ser humano, vai se foder! Vai..Se..Foder!

Hoje estou bem.
Hoje estou muito bem.
Hoje é a noite do querer.
Querendo não quero mais.
Querendo sempre quero mais.
Sem querer vou me abandonar.
Sem querer vou me deixar ir.
Sem querer não vou esquecer.
Mas espero que sim.
Eu quero que sim.

Quero esquecer o que não esqueço sem querer.
Hoje é a noite do querer. Do não querer. Do sem querer.


E a riqueza da noite reside na tua cabeça
O mundo todo gira, o universo se expande e nós nos encontramos aqui
Na minha mente gente que sente que acha que vive e só
Mas nem respira, nem sonha, se quer

Mas tudo parece tão real, tudo é tão tangível!
E por isso mesmo, irreal
Realmente, nada é tangível

Quero começar uma história. Quero começar uma história. Me deixa ir, poxa.


Um dia chuvoso, comendo sopa de letrinhas, "numerinhos" e "simbolinhos"!
Em preto e branco!
Curvas traçadas
Interpoladas
Aproximadas
Listradas
Vem pra lá e pra cá, sobem e descem
Conforme o tempo passa sem passar realmente...

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Mais um dia tranquilo. Até que está indo tudo bem. É só ligar o agora já era, que vai ficar tudo bem. Foi uma pena eu estar doente hoje, porém acabei aproveitando a tarde. Tudo bem, tudo bem, talvez não tenha feito as coisas fundamentais, porém me parece que as coisas estão bem encaminhadas. Li os livros necessários, revirei a pilha de folhas e recuperei os artigos e livros que serão necessários. Estou animado com o alemão de novo!!! Acho que quero aprender por mim mesmo, não somente por algum motivo mesquinho hahahaha.
 E olha só, quem diria, descobri música nova! Muito provavelmente não vai agradar a muita gente mas mesmo assim, eu curti pra caramba. As letras cruas, até inocentes, de revolta, na época da ditadura, dos redutos grevistas. Divertido e de fazer pensar, no mínimo. A batida rápida do punk genuinamente brasileiro. Aproveitei e até mesmo vi um documentário sobre a história do movimento punk no Brasil. Um pouco decepcionado com a postura da maioria, mas havia ali meia dúzia de caras cabeças que fizeram o negócio valer a pena.
 Bom, deu pra ver que eu estava nessa vibe hoje! Queria reaprender coisas, estava me sentindo inseguro de só saber matemática, matemática, matemática, um pouco de física, e mais matemática! Pois bem, retomei meus livros de cursinhos e comecei a ler sobre a história do Brasil, uma leitura pobre, mas era o feijão com arroz e ovo que eu queria! Já faz um tempo eu venho namorando com construir uma linha mais ou menos clara do decorrer da história do Brasil. E não é que eu achei uma série de vídeos com Bóris Fausto abordando toda a história do Brasil?! Pra quem quer ter apenas uma visão geral, uma linha de raciocínio, é fantástico! Ainda não consegui assistir as três horas de filme, mas fica ai uma atividade pra não me distrair com assuntos tão idiotas (tá, tudo bem, eu sei que pra muita gente estudar história a essa altura do campeonato é perda de tempo, mas eu realmente acho importante!).
 Como estou doente, também não fui ao jiu-jitsu hoje. Me alonguei, rolei um pouco aqui na sala mesmo. E tenho criado admiração por um lutador, Marcelo Garcia, cara muito bom e gente fina, aparentemente!
 Não sei como teria sido o dia se tivesse saído, com certeza boas conversas e boa companhia, mas fica mais pra frente. De qualquer forma, gostaria muito que essa onda de crescimento continue, me fez sentir muito bem, conseguiu me fazer valorizar um pouco! Será que consigo encontrar uma galera que curta esse tipo de conversa? Seria bom.
 Daí a noite quis ler. Li mais um pouco de história, e de repente fui tomado por uma vontade grande de vir aqui, despejar letras! Caramba, tô escrevendo sem estar deprimido! É, acho que hoje realmente foi um bom dia! hahaha

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Hey, mas o que será que vai ser desta vez?
Vamos mudar ou nos enfiar na caverna?

Queria me libertar os fardos que ainda não carrego, queria evitar as estradas de terra.

Não sinto falta de mais nada, não sinto falta de mais nada. Só sinto falta daquilo que poderia vir a ter.
Mas não sinto falta de mais nada.
Hoje até que foi legal! E olha que nem estava esperando nada deste dia!
Finalmente um pouco de calma e privacidade!

Apesar de ter ficado bastante em frente ao computador, até que no fundo eu gosto. É claro que não vou ser mais um garoto normal, mas tudo bem!


segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Mais um natal de bosta.
O tédio dominou os meus últimos quatro dias, e o pior de tudo é que sei que vai dominar amanhã também, e quem sabe até depois.
Balanço do ano? Bem, parece que o menino vivo está morrendo. As vezes penso se não seria melhor acabar com tudo logo de uma vez! Só faço peso morto...
Achei que poderia ser alguém de algum significado na vida de alguém, que fosse recíproco. Estive tão perto, talvez se eu tivesse me esforçado mais, talvez se eu não fosse tão idiota e imaturo, tão mimado!
Mas acho que é só isso, só mais um que passa, mais uma letra de rodapé que vai ficar, pra jamais ser lembrado. Um calo no sapato, uma preocupação em um sábado. Que fardo!
 Por que você não me deixa em paz? Ainda te vejo todos os dias, um anjo bom, muito bom, mas acho que aperta demais minhas asas. Não viu que nenhuma corda me prendeu? Nenhum laço mágico me segurou? Carinho, mas de longe, por favor.
Parece que tem orgulho de quem se tornou, e eu só tenho vergonha. Me tornei um patético falastrão semi solitário que vai viver o próximo ano reclamado de tudo e chorando o que perdeu, se apegando as coisas do passado, tentando manter a imutabilidade, o conforto. Falastrão, incompetente!
O que vou fazer agora?
Encurralado pelos meus próprios vícios, aprisionado nesse mundinho pequeno e você crescendo, voando alto, amadurecendo. Meus vícios, meus podres vícios! Tenho vergonha de mim mesmo... isso não está certo, eu deveria estar mais vivo do que nunca! Mas estou morto. Morto aos 21. Sem nem saber direito o que é vida e responsabilidade.
 Tenho recebido apoio, e estou abusando... Mas estas horas vazias, que não quero preencher com nada, vão me consumindo, e na madrugada eu não aguento, eu estilhaço, quero matar e morrer. Quero viver!
Gostaria que o cheiro ainda tivesse o mesmo efeito, que o peito ainda servisse de recanto, que talvez houvesse uma caixinha pra me guardar, em qualquer lugar, no canto da casa, no fundo do armário.
Mas as preocupações ultrapassam tudo, a rotina dominou tudo.
Minha infantilidade domina meus pensamentos, acua qualquer reação, parece que quero ser dominado, encontrar uma justificativa pro meu fracasso que faça sentido, que seja lógica, para que alguém tenha dó, e não diga, foi culpa da tua preguiça!
Mas eu sei que foi. Sempre é.
Queria poder voltar ao seu abraço, faria qualquer coisa pra estar no teu laço.
Mas quem eu quero iludir? O decidido está decidido, o mundo já está girando, as coisas já estão mudando, as pessoas já estão se procurando, e eu aqui, morto. Morto aos 21.
Daqui um tempo, eu sei, isso tudo vai ser idiotice. Tudo vai ter passado. Mas estas coisas tem me afetado tanto, hoje pensei algumas coisas e me senti torpe, caindo aos pedaços, caramba! Minha pressão baixou só de pensar em algo, que viagem!

Talvez eu quisesse me afundar nos livros de matemática, talvez eu quisesse provar pro mundo que sou um gênio em potencial, talvez eu quisesse ganhar dinheiro... mas parece tudo tao fútil. Me disseram pra não me preocupar demais, pois poderia atrapalhar minha carreira. CARREIRA! CARREIRA! CARREIRA! É isso que se leva daqui, não é? Será que é para o bem dos outros mesmo que precisamos de tanto dinheiro? Vai saber, gastamos com tanta porcaria agora. Tenho até um amigo que tem uma profissão idiota, acho que ele é palhaço. Mas me parece que ele já ajudou muito mais gente do que eu sonho em ajudar.
Afinal, o que estamos buscando? Por que sinto tanta falta de certas coisas?! Por que me sinto diminuído quando não tenho tal coisa? Como sou idiota, caramba!
Parece que o menino prodígio passa suas noites solitárias recurvado sobre um computador, enquanto sua mão queima, suas costas doem e sua barriga incha. Enquanto isso as histórias e as oportunidades passam pela janela, passam na frente dos teus olhos. Em retrospecto vejo o quanto fui mesquinho. Gostaria até de pedir desculpas, mas do que vai adiantar? Não consigo ver nada que vá me fazer mudar.
Talvez você conseguisse. Você conseguiu.
Mas eu retornei pro buraco. O problema é que um é peça rara e o outro é mais um pra ser guardado na caixinha do fundo do armário. Pra ficar encostado, inexplorado.

O que eu estou falando? Tem sido tudo melhor do que poderia ser, não tem? Foi tudo muito bom, sim! Mas, palmas para ele, consegui estragar tudo!
Sempre consigo, sempre! Não termina nada, seus projetos estão fadados ao fracasso meu jovem!
Como ainda ousas inventar que tem sonhos?
Você não tem sonhos, tal é tua pobreza de alma.
Não tem sonhos e tem que roubá-los. Suga qualquer sonho à sua volta.
E então inventa desculpas para justificar sua incoerência. Você tem medo de sonhar e falhar, tem medo de arriscar. Você é um aborto vivo. Você está morto. Morto aos 21. Talvez fosse melhor assim.

Daqui uns dias chega o ano novo... até posso prever, depressão e mediocridade com o repeteco de legião urbana. Dessa vez não vai ter ninguém pra abraçar, dessa vez não vai dar pra passar a noite fora. Dessa vez vai ser mais um dia enfadonho. Na melhor das hipóteses, folhas de sulfite, livros de matemática e programas de computador. na melhor das hipóteses pressão para terminar o que você começou, vergonha. Sério, como ainda não fui abandonado? Já estou morto e enterrado. Morto aos 21.

Respiro, com dificuldade. O ambiente está pesado. Quente e fedendo suor. O nariz escorrendo, torto na cadeira, os óculos foram deixados de lado e as letras estão todas duplicadas. Nem sei mais o que penso. É puro tédio, e é tudo frescura. Ingratidão, loucura. Você precisa morrer logo. Não vai dar pra ir muito longe assim. Você precisa morrer logo. Coragem pra morrer duas vezes (acho que eu quis dizer covardia).

É mais fácil choramingar e tentar gerar culpa, ainda que sem querer. Do que tentar batalhar. Até hoje eu não entendi, qual foi o estopim. Mas o que você esperava? Seu idiota, só meu deu custo, já bate o arrependimento de tudo, se soubesse que ia dar tanto trabalho!
É mais um natal de bosta, como sempre. Eu sozinho em frente ao computador. Não reclamo. Queria estar mais sozinho. Mais e mais. Preciso morrer mais uma vez. Preciso estar morto de vez. Pra tentar renascer, talvez. De onde vou tirar essa força? Era pra estar mais vivo do que nunca, mas estou morto. Morto aos 21.

sábado, 22 de dezembro de 2012

É bom saber que não estou sozinho. É bom saber. Sinto que conseguirei resolver em breve. Tudo dependerá da sua ajuda e da minha condição.
Obrigado por não me deixar sozinho.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Como se reconhecer diante de um espelho quebrado?
Será que nos arrependeremos muito quando em retrocesso vermos os minutos 'desperdiçados'?

Qual será o melhor caminho? Procurar se enxergar, se definir, procurar se entender.. mesmo sendo mutáveis a cada instante, mudando de ideia a cada instante.. Porém tendo de arcar sempre com as consequências das  primeiras decisões.

Será que eu jamais vou ter a oportunidade de ter alguém assim ao meu lado novamente? Me parece que tomando este caminho, serei incapaz de qualquer coisa mais. Isto se tornará minha obsessão.
Imagine o impacto sobre todos. Sei que só concerne a mim. Mas vai machucar, vai mudar tudo. Vou perder muita coisa que não queria. Talvez o preço seja muito alto pra muito pouco.

Achei que pudesse melhorar, que pudesse crescer. Eu sei que eu consigo, eu sei que eu posso... Mas me preocupo com outras coisas agora. Será que sou culpado por ser tão cego? É claro que sou.

Queria saber ficar sozinho. Mas me atormenta não ter mais ninguém com sua postura ao meu redor. Um conjunto perfeito, equilibrado.

Mas agora estou, por assim dizer, sozinho. Tento encarar como uma oportunidade, de conhecer a mim mesmo. Mas não gosto do que vejo. Tenho vergonha, mas ainda não sinto remorso. Acho que talvez nem seja algo tão preocupante assim. Criei grandes promessas sobre mim mesmo... todas falharam. Todas ficaram pra trás. Eu desapontei a todos, e isto tem sido uma âncora que me impede de me reerguer...

... Me sinto chato, incompetente, vazio, indisciplinado, um rato duas caras, que se esconde vergonhosamente.
Quem é você?
O que você realmente quer?
Como lidar com tudo isso?
Será que não poderia tudo ser mais simples?!

Mas você complica tudo, coloca tudo em xeque.
Remói seu próprio sofrimento até atormentar as pessoas de que gosta.
E você as chateia, as cansa.
E então elas vão embora.


Burro. Bundão. Bebe.
Por que você acha que ninguém suporta ficar ao teu lado?

Você é fardo.
A vida ao seu lado se torna massante, enfadonha, monótona.
Sempre mesmice, sempre as mesmas reclamações estúpidas e auto piedosas.

Burro. Bundão. Bebe.
Até quando?
Tudo é culpa sua, só sua.
Você deixou escapar a melhor das melhores.
Você jogou tudo no lixo com seu vazio.

Corrói todo o bom que há a sua volta.
Traz as pessoas que você ama para baixo.
Vive sorrateiramente, se esconde de si mesmo.
Até quando?

Burro. Bundão. Bebe.
Se pergunta: Como posso competir? O que posso oferecer?

Nada.
Você é vazio.
Você é estranho.
Você é o potencial abortado.
Uma vergonha pra si mesmo.
Prefere ficar escrevendo mais linhas de auto degradação, para aliviar a culpa que tem de tudo.

Você ainda se surpreende?
Por que sente a perda?
Você pediu pra isso.
Você foi avisado.

Sua monotonia abundante, sua passividade.
Tão imaturo, tão idiota.
Como você conseguiu ser tão burro?
Como consegue ser tão bundão?
Age como se fosse um bebe.

Pra tudo precisa de apoio, pra tudo precisa de ajuda.

Não é a toa que tem medo de avançar em áreas fora da sua zona de conforto.
Você tem vergonha de si mesmo, e sabe que não tem nada demais a oferecer.
Com tantos vencedores, quem quer ficar ao lado do perdedor?
Ninguém mais quer perder tempo trazendo peso morto.

O que você espera com este texto?
Talvez uma retorno por dó ou piedade?
Você é mesmo um idiota.
Não há mais volta.
Você já foi deixado pra trás.
Pois você é burro.
É bundão.
É um bebe.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Começo das férias...

Eu disse que voltaria a escrever. Sinceramente, não achei que fosse conseguir, tomar coragem, ou se quer que a situação fosse acontecer novamente. É que sou escrevo em dias ruins.
É, está tudo estranho. Passar do céu à indiferença em tão pouco tempo... Parecia bom demais pra ser verdade, pra ser comigo. E agora, eu vou aqui fingindo que está tudo bem, que consigo levar tudo numa boa, que já estou me desligando... Vou tentando ser o melhor pra você e nas horas vagas, que achei que melhorariam fazendo as coisas que gosto, mas acho que entendo. Seria loucura estar com alguém tão destrutivo como eu. Mais um idiota que joga oportunidades no lixo, um folgadinho aproveitador... Se sente ofendido quando criticam sua inteligência, mas age diariamente feito uma perfeita marionete. Uma marionete estranha, esquisita, deturpada, totalmente alucinado. Parece que as coisas, as pessoas já não tem mais influência nas suas atitudes, só liga si. Não tem o menor censo de compromisso, não aproveita as segundas chances.
Caramba, se você soubesse a diferença que faz pra mim... Só queria voltar a poder conversar, te abraçar, sentir o calor do seu corpo com o meu. Mas não sei o que aconteceu... veio um inverno repentino, eu sei que você manteve sua mão estendida, mas o inverno veio... e nos primeiros tempos eu passei fome. Depois tentei me reerguer, tento ocupar meu tempo, inventar atividades, tirar o melhor proveito das situações... tenho medo que o inverno seja rigoroso e permanente. E com isso vou me mantendo preso...e preso... Tenho medo da solidão, tenho receio dos meus medos desconhecidos. Queria ficar à vontade com a solidão, queria poder falar com você sabendo que não estou exigindo esmola.
 Será que vou ter outra chance de ouro? Não sei.. mesmo que tivesse... tenho jogado tantas coisas no lixo. Eu só queria alguém pra abraçar hoje, pra jogar um papo fora. Não encontrei ninguém. Só está página irreal, onde vou despejando palavras idiotas, cujos sentidos podem ser totalmente diferentes daqui algumas horas.
 Por que todos desejam o contrário do que eu quero? Será que estou pedindo demais? Por que tenho essa conduta auto destrutiva? Acho que agora eu só queria enfiar a cara no travesseiro e ficar um bom tempo sem acordar... Esta realidade está me consumindo. Os momentos de felicidade parecem efêmeros, estúpidos, indiferentes.