Ultimamente notei que estava cometendo alguns, se não muitos, erros em termos de entender como o outro se sente quanto à exposição de uma opinião. Na realidade, concluí que, de fato, estava agindo de maneira extremamente crítica.
O interessante é que eu estou, digamos, disposto a ouvir algumas críticas, reagindo as vezes com certa inquietação, outras sentindo-me ofendido, ainda algumas esbravejando-me, sem nunca, porém, logo em seguida,desculpar-me e retornar – ou ao menos tentar – o diálogo ou a discussão com o arguidor.
Há porém um problema com isso que é o simples fato de que nem todas as pessoas reagem da mesma maneira às críticas, e eu não as culpo. Na verdade, o que pretendo fazer aqui é um mero esboço de minha opinião acerca da crítica e da opinião, formulada durante breve meditação e que, portanto, merece aprofundamento e prática.
Tomarei como base o efeito que minha crítica causa à outra pessoa, ou seja, se ela se sente ofendida ou não. Este parâmetro é, obviamente, bastante subjetivo. Por isso trabalharei com os casos extremos, ou seja, a 'melhor das posturas' diante o 'pior dos casos'.
Assim, como início de exposição, eu abordarei a crítica direta. Quando ataco diretamente, por ofensa chula, digo prontamente que isto já constitui um erro acerca da civilidade e é ocasionado, geralmente, em momentos de alta ira e pouco bom senso, ou até mesmo numa discussão acalorada em que o bom senso está presente dentro dos argumentos, mas ausente do comportamento. Vou englobar também a ironia indireta, ou mensagens subliminares, visíveis o suficiente para que o receptor possa perceber a crítica e reagir a ela.
Neste caso, podemos ter uma reação do tipo indiferença, em que a pessoa recebe a crítica, a 'aceita', porém simplesmente não reage, nem a favor, nem contra. Creio que esta é a postura de quem está indisposto a continuar a discussão, por sentir-se ofendido, ou estar sendo vencido pelo cansaço e não pela lógica. Outra reação seria aceitar a crítica, no sentido em que ela não afeta emocionalmente, mas sim mentalmente, e uma reflexão é despertada, o que poderá se desdobrar em mudança de pensamento e comportamento, reação essa aceitável, pois não gerou ofensa. Além disso, há a reação bravia, a mais natural eu diria, em que a pessoa busca retrucar com a mesma intensidade, como se por meio de simples bate-estaca de ironias se chegasse a algum consenso sobre o assunto. Esta última reação (e note que é um comportamento não unidirecional, mas sim, bi ou multidirecional, dependendo do número de discursantes) é a mais terrível, pois resulta de uma ofensa profunda e intensa.
Pois bem, fica claro que a última reação é o pior dos casos dentro de minha exemplificação. Como, durante uma crítica, eu estou na ofensiva, eu é quem sou o responsável por estas reações, e não o receptor. Obviamente, ele reagirá da maneira que lhe aprouver. Porém, a partir do momento que lancei a crítica, abri a porta para que as reações supramencionadas se manifestassem. Obviamente, por questões de sofrimento e consideração, não quero que as alternativas ofensivas venham à tona, como esteve ocorrendo ultimamente. A solução é, portanto, simplesmente me abster de lançar a crítica, a não ser que esteja explicitamente solicitado pela outra pessoa que se de opinião abertamente sobre determinado assunto. Julgo que, com base em conversa com amigos, a crítica gratuita e a ironia desmedida é prejudicial a humanidade da própria pessoa, visto que soa como ofensa e desrespeito, podendo, inclusive, gerar cisão das partes, fato esse inaceitável perante os meus conceitos de bem viver e convivência pacífica e harmoniosa. Além do que, quando a discussão se torna colérica, o primeiro instinto da pessoa é travar todas as suas opiniões, por orgulho, para não perder, no sentido que usualmente se atribui a uma discussão. Estes assuntos se inter relacionam com outro que tratarei em outro tópico, que é a liberdade de opinião.
Pois bem, apenas para reforçar, a minha opinião, agora, é a de que uma crítica aberta, ou dita gratuita, tem maior probabilidade de causar desavença do que fazer nascer a reflexão que, eu imagino, seja o objetivo principal de uma conversa ou discussão em cima de um tópico, ainda que as partes não cheguem num consenso ao final. Pode parecer trivial, mas durante momentos de calor, somos mais movidos pelo simples orgulho de humilhar o outro, do que construir de fato uma luz de percepção, uma meditação, um olhar diferente, que poderiam, não duvide, mudar todo o nosso modo de vida. Como disse, está é meramente uma meditação superficial, talvez tome um pouco mais de tempo para exercer o controle sob o impulso, mas nada que a inteligência e a meditação profunda não sejam capazes de conter.
Abordo agora o outro modo de discussão de pontos de vistas conflitantes, que trata simplesmente da exposição de argumentos quando questionado sobre. Dizendo melhor, ao invés de apontar o erro do outro e despejar um monte de informações como numa crítica, espero a opinião de outrem, e apresento as minhas de forma respeitosa, buscando, por exemplo, achar pontos em comum, elogiar pontos positivos, sempre disposto a repensar minha opinião, esta, julgo eu, a principal característica de pessoas que amadurecerão psicológico e emocionalmente.
Adoto assim uma postura passiva, em oposição a ofensiva crítica. A partir deste momento, não sou eu quem estou abrindo a porta para qualquer reação que o ouvinte possa ter, não, pois a minha opinião será expressa com o mínimo de parcialidade – livre de opiniões passionais - e apenas quando solicitada, buscando dar ao máximo a sensação de intelecto, e não de ignorância, como ocorre durante argumentação crítica do tipo pingue-pongue, à pessoa que conversa comigo. Assim, eu imagino, mitigamos a possibilidade de uma reação violenta, por assim dizer, ou drástica, como quando por exemplo a 'solução' é simplesmente afastar-se da pessoa, não que isso se torne inexistente e, algumas vezes, necessário.
Porém, em paralelo com essa exposição passiva de argumentos, gostaria de deixar meu ponto de vista bem exposto e firmado, no sentido de que se minha opinião ofende o outro, eu não sou o culpado por isso, mas ele o é, tendo em vista que, num primeiro momento, a minha opinião não envolveria atacá-lo intelecto ou emocionalmente, e se ele se sente ofendido, é por ser incapaz de lidar com a diferença de pensamento. (Parto aqui da premissa de que a minha opinião não envolve a violência física ou a difamação, ou qualquer tipo de perseguição, opiniões estas sob as quais tenho severas reservas.)
Assim, concluo que devo reformar minha postura durante as discussões de assuntos apaixonantes. Procurarei passar de uma postura crítica e rude, algumas vezes prepotente, fruto provavelmente de algum ressentimento acumulado e atiçada por aqueles que gostam de imprimir sua opinião aos outros, à uma postura passiva, que leve em conta em primeiro lugar a opinião do outro, que medite naquilo que foi falado antes de responder. Sair de uma condição de discussão onde o único objetivo é provar que se está certo para uma condição onde o objetivo é sair mais sólido, mais sábio, no sentido de estar disposto a considerar a opinião do outro, remodelar sua cabeça, assim como mantê-la quando julgar pertinente. Em suma, abandonar uma formação de guerra, para uma formação de paz, que exige sacrifícios, compreensão e, principalmente, diálogo aberto e sem preconceitos.
Reitero desculpas àqueles a quem ofendi por meio da crítica desarrazoada, e agradeço os conselhos que são sempre bem-vindos durante esses tempos tempestuosos. Mas gostaria de pedir também a mesma compostura, de conversar com a cabeça aberta, disposta à mudanças, reflexões profundas e reformulação de comportamento, além de um fator que não mencionei anteriormente, mas que permeia muitas das mudanças de comportamento, que é a paciência.
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