sábado, 10 de setembro de 2011

Camarada

Quando foi que perdemos
Desejo de viver?
Não.
Quando foi que que ganhamos o desejo de viver?

No começo, simplesmente impulso
A correnteza
Espuma que se forma, indicando violência na queda
São as nossas lágrimas
Problemas
Desavenças

John me disse que não havia mais esperança
Será que ele estava certo?

Isso é com você, camarada.
Camarada.

Eu quero
Vida
Vida simplesmente
Vida puramente
Vida bela, mente.
O porquê?
Isso é com você camarada.

Afundei-me
Virei avestruz
Só via escuridão
Enquanto o mundo iluminado girava

Alumiando o sangue
As vísceras
Tripas de gente bela
Suspiros
Tudo em vão.
Descarrilhou

O trem da vida
Não tem mais estação
Descarrilhou, camarada.

Tem gente morta por toda parte.
Gente chorando em todo vagão.
Saque sobre todo fraco
E o vidro
Opaco
Esconde a realidade.

Camarada, eu saí
Saí do vagão
Ajoelhado
Olhando minhas mãos

Não!
Morte
Não!
Não a temo.
Nem fujo dela.
Espero-a como àquele convidado ilustre, cuja promessa da visita foi feita quando nasci.

Enquanto isso desfruto da minha ama
Ahh! vida, vida.
Vida que me acompanha
Ferida
Dolorida

Mas que vou reclamar?
Chorei, escrevi, desenhei
Amei
Não passei fome
E me tornei casmurro sem ares de fidalgo
Como compôs meu amigo Machado

E depois de tirar a cabeça do buraco
Sair do vagão
Olhei pro sol, estendi minha mão
E disse
Venha
Venha por que eu não vou me esconder
Quero você
Tudo

A vida
Vida enfática
Vida apática
Vida estanque, de beleza homeopática.

É camarada
Vida.

Nenhum comentário:

Postar um comentário